Oposição suspende protesto em Jacarta
Oposição suspende protesto em Jacarta
Ameaça de massacre suspende protesto-gigante na capital. Futuro político de Suharto, há 32 anos no poder, continua incerto
Deutsche Presse
e France Presse
France PresseUnanimidadeManifestantes e policiais se confraternizam em Jogiacarta e pedem a renúncia de Suharto. Líder do Parlamento dá últimato a ditador A manifestação que deveria reunir ontem mais de um milhão de indonésios exigindo que o presidente Suharto deixe o poder foi cancelada depois que as forças armadas deslocaram cerca de 150 mil soldados para Jacarta, o maior efetivo militar a controlar a capital, em décadas.
Ante a impressionante operação do exército, o líder muçulmano da oposição Amies Rais cancelou a manifestação, através de comunicado por rádio e televisão, para evitar um banho de sangue, caso se repetissem os choques na semana passada, quando 500 pessoas morreram.
Apesar do cancelamento do protesto, quinze mil estudantes prosseguiram com a ocupação pacífica do prédio do parlamento em Jacarta. Após o meio-dia, as forças armadas retiraram os tanques colocados na frente do palácio presidencial.
Fora da capital, dezenas de milhares de estudantes tomaram as ruas de várias cidades exigindo reformas. Em Jogiacarta, cidade histórica no centro de Java, cerca de cem mil pessoas participaram de uma manifestação, unindo-se a 12 mil estudantes. Suharto, vá embora!, dizia um cartaz, enquanto os estudantes gritavam Matem-no, que caia e pediam às forças armadas que ficassem ao lado do povo e não contra ele.
O futuro político de Suharto, no poder há 32 anos, continua incerto; ontem, o ministro do Interior Hartono e o grupo parlamentar do partido governista Golkar pediram a convocação da Assembléia Popular para convencer o presidente de 76 anos a renunciar.
O presidente do parlamento, Harmoko, ameaçou iniciar um processo para destituir Suharto caso ele não renuncie até amanhã. Hoje, o gabinete de Suharto deve nomear uma comissão de reformas propostas anteontem pelo presidente e que teria como objetivo preparar a antecipação das eleições gerais.





