Caracas A oposição venezuelana, que realiza uma greve geral que já passou dos 50 dias no país, cancelou ontem, em Caracas, uma passeata das mulheres, por temor a confrontos violentos com simpatizantes do presidente Hugo Chávez. Enrique Naime, da Coordenadoria Democrática (CD, que reúne partidos e grupos civis da oposição), explicou à imprensa que, em vez da mobilização, serão feitas concentrações em três bairros da capital de onde partiria a marcha.
A violência política na Venezuela voltou a fazer vítimas segunda-feira, quando uma pessoa morreu e outras 25 ficaram feridas, em choques entre simpatizantes de Chávez, a oposição e policiais, numa região para onde convergem várias cidades-dormitório, no ocidente de Caracas.
A passeata de ontem seria realizada na praça Madariaga, vizinha ao Comando Geral da Guarda Nacional no sudoeste caraquenho, em protesto contra o comandante da corporação, Felipe Acosta.
Condenação A Internacional Socialista aprovou ontem em Roma uma resolução em que condena o presidente da Venezuela Hugo Chávez e denuncia a ''crescente militarização'' do país latino-amerciano.
Durante a reunião de dois dias do Conselho da Internacional Socialista, da qual participaram 130 partidos, entre eles vários latino-americanos, em particular os venezuelanos da Ação Democrática e o Movimento ao Socialismo, a IS aprovou uma resolução na qual pede ''eleições livres''.
Grupo de Amigos O Grupo de Amigos da Venezuela se reunirá nesta sexta-feira na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), confirmou o departamento de Estado norte-americano, que ainda não confirmou a presença do secretário de Estado Colin Powell no encontro.
''É a primeira oportunidade para que os protagonistas deste Grupo de Amigos se reúnam e troquem opiniões; será o primeiro passo importante'', disse à AFP Chip Barclay, porta-voz do departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental.
Carter O ex-presidente norte-americano Jimmy Carter anunciou ontem que vai apresentar duas propostas para solucionar a crise na Venezuela: uma delas é o referendo revogatório do mandato do presidente Hugo Chávez, e a segunda, uma reforma constitucional para viabilizar a realização de eleições.
''Ambas as propostas se referem a um acordo que se consiga na mesa de negociação: por um lado, haverá o fim da greve. Por outro, temos o governo e a nação, que se moverão (...) na direção de uma emenda constitucional'', disse Carter.
Posição brasileira O Governo brasileiro está disposto a reunir-se com integrantes da oposição ao governo do presidente venezuelano Hugo Chávez, embora o nível oficial desse eventual encontro dependa da representatividade política desse grupo, informou o chanceler brasileiro, Celso Amorim. ''O Governo brasileiro e eu como chanceler estamos dispostos a receber líderes da oposição. Agora, o nível em que seriam recebidos dependerá de sua própria representatividade no conjunto dessa oposição'', disse o ministro das Relações Exteriores brasileiro.

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