France PresseApoioBill Clinton conversa com o presidente Ketumile Masire, logo após desembarcar em Gaborone. A estabilidade política de Botsuana constitui fator considerado de enorme importância pelo presidente norte-americano que também se reuniu com o futuro presidente do país, Festus Mogae, que tomará posse amanhã.A firme oposição da África do Sul aos planos dos Estados Unidos para o continente e as críticas de Nelson Mandela à política externa de Bill Clinton obscureceram seriamente o giro do presidente americano, que iniciou ontem em Botsuana uma visita centrada no meio ambiente. Clinton chegou ontem a Gaborone, capital do Botsuana, quinta etapa de seu giro de 11 dias por seis países africanos, após uma visita de três dias à África do Sul que foi um fracasso político.
O presidente sul-africano Nelson Mandela manifestou sexta-feira a oposição de Pretória à lei ‘‘do Crescimento e da Oportunidade na África’’, eixo da política americana no continente e essencial na mensagem de Clinton durante sua viagem.
Igualmente demonstrou reservas quanto à força interafricana de paz que os Estados Unidos querem criar, e afirmou que de nenhuma forma aceitaria que esta força tivesse no comando um oficial não-africano.
Mandela fez estas declarações numa entrevista difundida ontem na televisão americana CNN, e afirmou que a lei, já votada pela Câmara de Representantes dos EUA, é ‘‘totalmente inaceitável’’.
Esta lei oferece aos países africanos reduções de direitos de aduana em alguns produtos para sua entrada no mercado americano, desde que optem pela democratização e pela liberalização da economia.
Os sul-africanos rechaçam o caráter condicional destas vantagens, não porque temam não cumprir as condições mas porque temem que penalize os países menos desenvolvidos.
Parece também que a África do Sul tem medo de que a lei atropele sua soberania e a dos demais países africanos.
Por sua vez, o vice-presidente sul-africano, Thabo Mbeki, criticou a preferência dada pelos americanos ao comércio e ao investimento em detrimento da ajuda pública ao desenvolvimento.
Clinton tentou sábado responder estas críticas em um discurso em Johannesburgo. ‘‘Uma nova colaboração em matéria de comércio e investimento não deve se fazer em detrimento da assistência ao desenvolvimento, quando esta é ainda evidentemente necessária’’, declarou.
Nas semanas anteriores ao giro de Clinton, a Casa Branca defendeu a fórmula ‘‘Comércio, não ajuda’’. Mas ela provocou protestos em alguns meios nos Estados Unidos e entre os dirigentes de vários países africanos.
Segundo fontes americanas, por esta razão Clinton e sua assessoria decidiram retificar essa fórmula desde o começo da semana passada, e a linha oficial agora é que comércio e ajuda não são contraditórios.
Democracia Segundo a Casa Branca, a visita de Clinton a Botsuana é um reconhecimento da democracia mais antiga da África, que celebrará amanhã sua segunda transferência pacífica do poder, quando Masire deixar o cargo.
As autoridades de Botsuana esperam que a visita, a primeira realizada por um presidente norte-americano, impulsionará a indústria turística do país.
Clinton deixará Gaborone amanhã para finalizar seu giro africano no Senegal.

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