Beirute - O principal grupo opositor sírio disse aceitar o cessar-fogo anunciado, ontem, pelos Estados Unidos e Rússia, se forem cumpridas "condições" humanitárias.
Em um comunicado, o Alto Comitê de Negociações disse responder "positivamente aos esforços internacionais para obter um cessar das hostilidades", desde que condicionado à suspensão dos cercos às cidades, à libertação de prisioneiros, ao fim dos bombardeios de civis e à entrega de ajuda humanitária.
Segundo um comunicado comum entre os Estados Unidos e a Rússia, divulgado pelo Departamento de Estado em Washington, um acordo de cessar-fogo entrará em vigor na Síria em 27 de fevereiro às 00h hora de Damasco (19h00 do dia 26 no horário de Brasília).
Esta interrupção das hostilidades - que fizeram dezenas de milhares de mortos e milhões de refugiados em cinco anos - não incluirá o grupo Estado Islâmico e a Frente Al-Nosra, o ramo sírio da Al-Qaeda, de acordo com o comunicado. "Esta interrupção das hostilidades se aplicará às partes envolvidas no conflito que indicaram que aplicarão e respeitarão os termos" do acordo, acrescenta o comunicado.
As partes têm até 26 de fevereiro às 12h (7h de Brasília) para informar aos Estados Unidos e à Rússia de sua adesão ao acordo. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, comemorou a notícia como "um sinal de esperança para a população síria". "Ele exortou as partes envolvidas a respeitar o acordo de cessar-fogo, acrescentando que ainda há muito trabalho a fazer para aplicar" a trégua.

ATAQUE MAIS VIOLENTO
Ao menos 120 pessoas morreram no atentado de domingo executado pelo grupo Estado Islâmico ao sul de Damasco, de acordo com um balanço atualizado de uma ONG, o que faz deste ataque o mais violento desde o início da guerra na Síria, em 2011.
O EI reivindicou o atentado suicida perto do santuário xiita de Sayeda Zeinab, a menos de 10 km da capital síria.
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), entre as vítimas fatais há 90 civis. Os demais falecidos pertenciam às forças de segurança do regime, de acordo com o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.
O ataque mais sangrento até domingo havia sido registrado em maio de 2012 perto da capital, foi lançado pelo braço sírio da Al-Qaeda e matou 112 pessoas.

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