Oposição sem líder quer revogar o mandato de Chávez
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sexta-feira, 04 de junho de 2004
France Presse 
Caracas - A aliança opositora prepara a campanha para o referendo revogatório do mandato do presidente Hugo Chávez, mas sem um líder único e sem programa de governo, o que provocou apelos para a organização de eleições primárias para designar um dirigente.
O líder Antonio Ledezma declarou ontem à televisão: ''É preciso procurar alguém, mas sem egoísmos. O importante é que um candidato seja definido antes do referendo''. Outros opositores, como o petroleiro Juan Fernández, sustentaram que o importante era remover Chávez do poder, antes de nomear um líder.
O líder social-democrata Henry Ramos Allup, do partido Ação Democrática (AD) permaneceu em silêncio. AD é o maior partido da Venezuela, que desde 1958 quando foi derrubada a última ditadura do general Marcos Pérez Jiménez teve cinco presidentes.
A publicação opositora Veneconomia destacou que ''primárias para a eleição de um candidato único que enfrente o oficialismo são necessárias para que surja um líder, e principalmente uma decisão sobre um programa de reconstrução e inclusão social e econômica''.
Chávez, reconhecido por analistas opositores como um ''animal político'', trocou durante as últimas semanas seu estilo agressivo por um mais calmo, destacaram observadores diplomáticos.
''Vamos para o referendo revogatório. De qualquer forma, é preciso lembrar à oposição que a diferença será mínima. Onde estão estes oito ou cinco milhões de assinaturas que prometeram recolher? Eles demonstraram que são uma minoria'', disse o presidente, ao aceitar o plebiscito.
Na tarde de quinta-feira, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), anunciou que segundo um levantamento preliminar bastante próximo ao que serão os números definitivos, a oposição recolheu 2.451.821 assinaturas, ou seja, mais das 2.436.083 requeridas para acionar o referendo.


