Viena O líder da oposição venezuelana, Carlos Ortega, afirmou ontem que o presidente Hugo Chávez deve ser preso e propôs que uma junta suceda seu regime quando ele for deposto, em uma entrevista publicada pelo jornal austríaco Standard. ''Tem de pagar na prisão por suas dívidas e pelos danos que causou'', disse Ortega, presidente da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV).
A greve geral paralisa a atividade econômica e em especial a indústria petroleira venezuelana desde o dia 2 de dezembro passado.
''Este governo está trabalhando com traficantes e terroristas internacionais'', declarou Ortega em uma entrevista realizada pelo correspondente do jornal austríaco em Caracas.
''Não podemos entender por que Chávez não reagiu depois de mais de um mês de greve. Estamos sacrificando muito, mas se não o fizermos, a Venezuela perderá tudo'', adiantou.
Ortega explicou como acredita que será o período após a queda do governo de Chávez. ''Acreditamos que Chávez fugirá. Temos que nomear uma espécie de junta para dirigir o país durante um curto período de transição. Achamos que todos os setores da sociedade devem estar representados no processo, incluindo os partidos democráticos e o governo'', declarou Ortega.
Ação policial Um grupo de seguidores do presidente Hugo Chávez foi dispersado com bombas de gás lacrimogêneo por efetivos da Guarda Nacional (GN) perto do Conselho Nacional Eleitoral, CNE, no centro de Caracas, onde se posicionava para impedir uma passeata de grevistas.
A oposição, que realiza uma greve geral de 38 dias na Venezuela, havia convocado manifestação para apoiar o ''sim'' a um plebiscito sobre o mandato de Hugo Chávez, que está programado para fevereiro, mas a passeata foi suspensa, anunciou um de seus líderes, Antonio Ledezma.
Os opositores permaneceram concentrados na Praça Morelos, que fica um quilômetro antes do CNE.
Greve dos bancários A Federação de Bancários da Venezuela (Fetrabanca) decidiu, ontem, paralisar as atividades do setor por 48 horas, em apoio à greve geral da oposição para tirar o presidente Hugo Chávez do poder.
José Elías Torres, presidente da Fetrabanca, informou ontem, durante a assembléia da federação, em Caracas, que a paralisação deverá começar hoje.
Depois da paralisação das atividades por dois dias, os bancários continuarão realizando um atendimento restrito, contrariando uma resolução do Governo publicada na segunda-feira, a qual obriga os bancos a regularizarem o horário de abertura de suas agências.
Ajuda brasileira O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enviará ajuda à Venezuela, solicitada pelo presidente Hugo Chávez, e vai tentar impulsionar a criação de um Grupo de Amigos que tente mediar uma solução nesse país, declararam ontem porta-vozes do governo brasileiro.

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