São Paulo - Opositores tunisianos se reuniram ontem na capital do país, Túnis, para exigir a renúncia do governo liderado pelo partido islamita Al-Nahda.
Os manifestantes, em sua maioria jovens, foram convocados pela Frente de Salvação Nacional (FSN), uma coalizão que agrupa 12 partidos opositores.
Reunidos na avenida Habib Bourguiba, os opositores exibiam bandeiras do país e gritavam frases como "o povo quer a queda do regime", "fora!" ou "renúncia para o governo de traidores".
As autoridades mobilizaram um importante dispositivo policial na avenida, lugar central da revolução de janeiro de 2011 que derrubou o ditador Zine al-Abidine Ben Ali, com dezenas de veículos e alguns blindados. Policiais também estavam presentes.
Paralelamente, uma manifestação a favor do regime, convocada pela Liga de Proteção da Revolução, não havia começado até o meio-dia, apesar de ter sido anunciada para o período da manhã.
Os islamistas do partido governista Al-Nahda e os opositores se reunirão para tentar solucionar a crise política provocada pelo assassinato do deputado da oposição Mohammed al Brahmi em julho.
O governo dirigido pelo primeiro-ministro islamita Ali Larayedh se comprometeu há alguns dias a deixar o poder até o fim de outubro e abrir espaço para um gabinete independente.
Na noite de terça-feira, o presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Mustafá Ben Yafaar, se mostrou confiante em entrevista divulgada pela televisão oficial de que Larayedh "respeitará seu compromisso" e apresentará sua renúncia.
"Nós esperamos que Larayedh tenha coragem suficiente para anunciar a renúncia do seu governo dentro de três semanas para salvar o país", disse Hamma Hammami, líder esquerdista da Frente Popular.
Sob os termos de um roteiro político elaborado por mediadores, o diálogo nacional levará cerca de três semanas para a formação de um novo governo interino.

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