Oposição peruana quer punir Montesinos
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quarta-feira, 20 de setembro de 2000
Roberto Lameirinhas Agência Estado De Lima 
Depois de receber com muita desconfiança as propostas de reforma constitucional feitas na véspera pelo presidente Alberto Fujimori, a oposição peruana intensificou ontem as pressões para que o ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN) Vladimiro Montesinos seja detido e processado por corrupção. O ex-assessor está desaparecido há uma semana, quando a oposição exibiu as imagens de uma fita de vídeo nas quais ele aparece supostamente subornando um congressista para que passasse a integrar a bancada governista.
Fujimori disse ontem que o governo não conhecia o paradeiro de Montesinos, mas estava empenhado em garantir sua integridade física.
Os congressistas do partido opositor Somos Peru Anel Townsend, Luis Guerrero, Xavier Barrón e Manuel Masías - apresentaram à mesa do Congresso uma moção na qual exigiam a aprovação de uma medida para levar aos tribunais uma acusação formal contra Montesinos. Mas a presidente do Congresso, a fujimorista Martha Hildebrandt, não acatou a moção, sob a alegação de que a matéria não constava da agenda da Casa.
Também rechaçou a solicitação para que a proposta do Somos Peru fosse votada em regime de urgência. E restringiu-se a nomear uma subcomissão parlamentar para investigar o caso, passo prévio para que o processo seja finalmente entregue ao Ministério Público. O que vimos aqui foi parte de uma ação coordenada do governo para manter a impunidade desse senhor (Montesinos), disse Guerrero, que abandonou a sessão em protesto, junto com seus companheiros de partido.
Outros grupos de oposição criticaram as declarações de Fujimori também por sua decisão de permanecer à frente do governo durante o período de transição. Vou, mais fico (e quero voltar), foi a manchete do jornal de Lima La República, que faz ferrenha oposição a Fujimori e, desde o segundo turno das eleições adotou posição francamente favorável ao candidato Alejandro Toledo.
Um dos pontos mais polêmicos da proposta de emenda constitucional anunciada por Fujimori é a que proíbe a reeleição presidencial. Está claro que Fujimori pretende eleger um herdeiro político nas eleições gerais e não pretende se arriscar a dar ao próximo presidente, seja ele quem for, facilidades para vencê-lo quando voltar a apresentar-se como candidato, em 2006, afirmou o analista político do jornal Liberación, Fernando Valencia.
Indagado sobre quais seriam seus planos futuros, Fujimori respondeu enigmaticamente que não falaria sobre o assunto agora, mas que todos poderiam esperar uma surpresinha para 2006. Assegurando que estará governando plenamente o país até 28 de julho de 2001, o presidente também rechaçou todas as acusações de fraude nas últimas eleições.
Em meio à agitação política, uma outra frente de crise abriu-se hoje em vários departamentos (províncias) do país com o início de uma greve de caminhoneiros em protesto contra o preço dos combustíveis.
Mal o pronunciamento de Fujimori anunciando a convocação de novas eleições tinha ido ao ar no sábado, a unidade da oposição em torno de Toledo já começava a desmanchar-se. O líder da Frente Independente Moralizadora (FIM), Fernando Oliveira, que ganhou notoriedade por ter sido o congressista que levou a fita que incriminou Montesinos à opinião pública, criticou Toledo por portar-se desde já como candidato presidencial antes de negociar junto com outros opositores uma saída para a crise.


