Caracas - Diversos líderes da oposição venezuelana pediram, ao votar ontem, que os governantes venezuelanos se concentrem nos verdadeiros problemas do país independente do resultado do referendo sobre a reeleição presidencial sem limites. Ontem à noite, segundo pesquisas de boca-de-urna citadas por ministro, o ''sim'' registrava uma vantagem irreversível,
''Espero que amanhã fique para trás este processo eleitoral e todos se dediquem a governar este país que tem tantos problemas'', pediu o governador opositor do estado Miranda (que inclui parte de Caracas), Henrique Capriles. ''O país se constrói com nossa participação. Sempre fomos a favor de alcançar as mudanças com votos. Entendo que há muito cansanço, mas a melhor maneira de protestar, de nos expressarmos, é indo votar'', acrescentou.
Já Antonio Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas, denunciou no momento em que votou que os simpatizantes do governo faziam propaganda durante o dia de votação. Ledezma e Capriles ocupam os cargos desde o fim de 2008, quando derrotaram os candidatos do governo nas eleições regionais e municipais.
Os venezuelanos foram às urnas para aprovar ou não uma emenda constitucional que permitiria ao presidente e os demais ocupantes de cargos majoritários a concorrer nas eleições sem um limite de mandatos. A modificação permitiria ao presidente Hugo Chávez uma nova candidatura nas eleições de 2012, quando chega ao fim seu segundo mandato.
''Venho com minhas filhas e netos, muito consciente ante o povo venezuelano de que hoje, nas mesas eleitorais, está se decidindo meu destino político. Para mim, como ser humano e soldado desta luta, é importante'', disse Chávez depois de votar no bairro de 23 de janeiro de Caracas. ''Peço a Deus que o processo termine bem e se imponha a vontade do povo venezuelano. Que ninguém se ponha a inventar'', alertou. ''Reconheceremos o resultado, seja qual for, uma vez anunciado pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)'', reiterou.
O presidente afirmou que a proposta de emenda à Constituição faz parte de uma ''nova doutrina constitucional que tem a Venezuela como vanguarda''.
Os locais de votação fecharam as portas às 18 horas locais (19h30 de Brasília). O ''sim'' no referendo para a reeleição na Venezuela registra uma vantagem 'irreversível', segundo pesquisas de boca-de-urna citadas pelo ministro das Finanças e diretor do Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV, no poder), Alí Rodríguez. ''Hoje certamente é um dia de celebração'', afirmou Rodríguez em coletiva de imprensa do PSUV, uma hora e meia antes do fechamento das mesas de votação.

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