São Paulo - Um dia depois de tomar o poder de modo surpreendente, a oposição do Quirguistão nomeou ontem um novo presidente, enquanto Askar Akayev, presidente deposto anteontem após levante popular, quebrou o silêncio e afirmou que os oposicionistas são ''aventureiros e conspiradores''.
A situação na capital do Quirguistão, Bishkek, permaneceu tensa ontem, e rajadas de metralhadora podiam ser ouvidas ocasionalmente. Grandes focos de fumaça podiam ser vistos em bairros comerciais.
O governo de Akayev, que fugiu do país, caiu depois que milhares de manifestantes, que protestavam contra uma eleição legislativa considerada fraudulenta por observadores internacionais, ajudaram a oposição a tomar a sede do governo, dando início a uma onda de saques em Bishkek.
O líder oposicionista Kurmanbek Bakiev, que fora indicado para o posto de premiê ontem, passou a ser presidente interino ontem, substituindo um deputado oposicionista indicado na véspera. Bakiev aceitou a indicação e nomeou seus ministros do Interior, da Defesa e das Relações Exteriores. Segundo a mídia local, foram marcadas eleições presidenciais para junho.
Akayev, cujo paradeiro permanece desconhecido, afirmou, de acordo com um site quirguiz, que continua sendo o presidente do país. Mas suas chances de voltar ao poder são mínimas, já que o presidente da Rússia, Vladimir Putin - seu ex-aliado -, disse ontem que ''poderá trabalhar com os novos líderes quirguizes'' e lhe ofereceu asilo político.
Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA disse que o país ainda não reconhecera oficialmente o novo governo quirguiz. O chefe da política externa da União Européia, Javier Solana, pediu calma e a restauração da lei e da ordem.

mockup