Beirute- A oposição libanesa anti-síria anunciou ontem uma insurreição pela independência e reclamou um governo de transição para supervisionar a retirada das tropas sírias e as próximas eleições legislativas do país. ''Em resposta à política criminal e terrorista das autoridades libanesas e sírias, a oposição libanesa declarou um levante democrático e pacífico para a independência'', afirmou um de seus membros, Samir Frangié.
A oposição libanesa anti-síria exige que o poder libanês e o poder sírio, em sua qualidade de regime de tutela, assumam a responsabilidade do atentado com explosivos que custou a vida na segunda-feira do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri.
Os pedidos pela renúncia do governo libanês pró-sírio aumentaram ontem, em Beirute, e já resultaram na demissão do ministro do Turismo, enquanto que a oposição se prepara para incrementar a mobilização popular contra o poder.
Reforçada pela comoção popular e as manifestações contra a Síria, no local do atentado e no túmulo do ex-primeiro-ministro libanês Rafic Hariri, a oposição pretende ''ampliar os protestos'', informou Samir Frangié.''Temos duas reivindicações: uma investigação internacional para identificar os culpados pelo atentado e a retirada total das tropas sírias do Líbano'', acrescentou, considerando necessária a instalação de um novo poder antes das eleições previstas para a primavera.
O ex-primeiro-ministro Salim Hoss, que não pertence à oposição, pediu iniciativas para reduzir a tensão no país.''Isto deve passar pela renúncia do governo e a formação de um gabinete de transição com representantes da oposição que também devem participar da preparação das eleições'', afirmou Hoss, um homem respeitado pela classe política.
Na quinta-feira, o líder Walid Jumblatt afirmou que este poder ''será varrido pelo povo''. A situação resultou, num primeiro momento, na demissão do ministro do Turismo, Farid Jazen. O ministro não pôde ser ouvido para confirmar ou comentar sua decisão. A oposição acusa a Síria e o poder libanês de serem favoráveis à Síria, e de serem responsáveis, pelo menos por omissão, pelo assassinato de Hariri.
Milhares de pessoas, entre elas jovens de todas as religiões e classes sociais, organizaram na noite de quinta-feira uma manifestação no local do atentado, com palavras de ordem contra os sírios: ''muçulmanos e cristãos unidos, dizemos não à Síria''.
O ministro da Justiça Adnane Addoum informou ontem que seis suspeitos do crime saíram do Líbano com destino à Austrália horas depois do atentado. O desfile interminável prosseguiu ontem em frente à residência de Hariri, onde milhares de pessoas esperam horas para dar os pêsames à família.

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