Oposição japonesa negocia coalizão
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segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Cláudia Trevisan<br> Enviada especial 
Tóquio- A oposição japonesa conquistou vitória esmagadora na eleição parlamentar de domingo, mas não conseguiu alcançar os dois terços de cadeiras necessários para governar sem necessidade de realizar coligações com outros partidos.
O provável futuro primeiro-ministro, Yukio Hatoyama, deu início ontem às negociações com o Partido Social Democrata e com o Novo Partido do Povo para formação do gabinete, depois que o seu Partido Democrático do Japão (PDJ) obteve 308 das 480 cadeiras da Câmara Baixa. O resultado acabou com 54 anos quase ininterruptos de gestão do conservador Partido Liberal Democrata (PLD), do atual primeiro-ministro, Taro Aso.
A vitória da oposição reflete a insatisfação dos japoneses com os liberais, vistos cada vez mais como defensores das grandes corporações e da poderosa burocracia do país.
Segunda maior economia do mundo, o Japão passa por sua mais grave crise do pós-guerra, que provocou reduções do salário real, desemprego recorde e uma sensação de insegurança pouco familiar aos que experimentaram os anos de expansão dos anos 80.
O programa do PDJ prevê o pagamento de generosos benefícios sociais e promete reativar a economia por meio do aumento do poder de compra dos consumidores. Entre as principais propostas está a entrega de US$ 280 ao mês para as famílias que tenham filho pequeno e um incentivo de US$ 5.900 aos que decidirem ter um bebê.
A baixa taxa de natalidade é um dos maiores problemas estruturais do Japão, que enfrenta o rápido envelhecimento de sua população.


