Manifestantes iugoslavos, confiantes no sucesso de uma campanha visando reverter fraudes eleitorais promovidos pelos partidários do presidente socialista Slobodan Milosevic, transformaram ontem seus protestos diários pelas ruas de Belgrado num carnaval antecipado da vitória.
Cerca de 150 mil pessoas voltaram a marchar por Belgrado pelo 19º dia consecutivo, mas desta vez convencidos de que a Suprema Corte restabelecerá o triunfo da coalizão oposicionista Zajedno (Juntos) nas eleições municipais de 17 de novembro.
A máxima instância jurídica da república iugoslava está examinando apelos da Comissão Eleitoral de Belgrado e da frente oposicionista Zajedno contra a anulação do resultado do pleito. A votação foi anulada por um tribunal da capital iugoslava sob a alegação de ‘‘irregularidades’’ (não reveladas), depois que a comissão eleitoral anunciara a vitória da Zajedno.
Em meios a sinais de que Milosevic estava cedendo terreno, um porta-voz da Zajedno advertiu que a Corte ainda tem até amanhã para apresentar sua decisão, e acrescentou: ‘‘Não estou preparado para prever o resultado’’.
Os juízes podem decidir que a Zajedno ganhou a prefeitura de Belgrado ou ordenar a revisão dos resultados pelo tribunal inferior que anteriormente se posicionou a favor dos socialistas.
O ambiente nas ruas era de euforia enquanto crescia a convicção de que os 19 dias de protestos infligiram um importante revés político ao autocrático Milosevic, que tem governado a Iugoslávia virtualmente sem desafios por nove anos.
‘‘Não estamos abandonando nosso principal objetivo - remover Milosevic do poder’’, disse um líder da Zajedno, Zoran Djindjic. ‘‘Mas queremos fazer isso de uma forma justa, numa luta política justa, e o primeiro passo é o reconhecimento do resultado das eleições.’’
Pesquisa divulgada ontem pela revista Nin mostrou que a popularidade do presidente caiu de 26% para 16,5% desde o início dos protestos, enquanto o de Zoran Djindjic, o principal líder da Zajedno, subiu de 2% para 10%.
Ontem, o ministro da Informação, Alexander Tijanic, deixou o cargo, mas garantiu que saiu por não concordar com a política governamental - e não por causa da pressão popular. ‘‘Não posso apoiar conceitos que reduzam o jornalismo a uma ciência dedicada a convencer a população de que o que é evidente é mentira’’, afirmou ele numa nota. ‘‘O jornalista Tijanic venceu o ministro Tijanic.’’

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