Oposição ignora alerta do governo e lota praça
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Folhapress 
São Paulo - Os manifestantes e grupos de oposição lotaram por mais um dia a Praça Tahrir, no Centro do Egito, enfurecidos com o alerta da véspera do vice-presidente Omar Suleiman de que, se não houver negociações, um golpe pode ocorrer, causando ainda mais caos.
O alerta de Suleiman pode atrapalhar os seus esforços, apoiados pelos Estados Unidos, de negociar reformas democráticas com a oposição e encerrar os protestos que se prolongam pelo 17º dia consecutivo. Até ontem, a oposição rejeitou as ofertas de reforma constitucional de Suleiman e mantém a exigência de que o ditador Hosni Mubarak saia imediatamente do poder. A oferta do governo é que ele permaneça até setembro, quando serão realizadas eleições.
Os manifestantes temem que o regime manipulará as conversas e conduzirá apenas reformas superficiais - então eles insistem que entrarão nas negociações efetivamente quando Mubarak, há 30 anos no poder, sair.
Milhares de manifestantes cantando ''nós não vamos sair enquanto ele não sair'' acamparam durante a noite em Tahrir, em barracas improvisadas com plásticos e cobertores, para se proteger do clima frio. Muitos deles estão dormindo sob tanques que cercam a praça.
Suleiman rejeitou, em entrevista à imprensa oficial e independente egípcia na noite de ontem, a saída imediata de Mubarak ou qualquer ''fim ao regime''. ''Nós não podemos sustentar isso por muito tempo'', disse, sobre os protestos em Tahrir. ''Precisa haver um fim a esta crise assim que possível.''
O vice apelou ainda ao diálogo e disse que não quer lidar com a sociedade egípcia com ''armas de polícia'', mas alertou que a alternativa ao diálogo é que aconteça um golpe ''que significaria passos não calculados e perigosos, incluindo muitas irracionalidades''. A declaração foi vista como a sugestão da imposição da lei marcial, uma escalada dramática após violentos confrontos que deixaram mais de 150 mortos, segundo as agencias de notícias.


