Oposição faz passeata para comemorar queda de Aristide
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domingo, 07 de março de 2004
France Presse 
Porto Príncipe O ''comandante-em-chefe das forças armadas do norte'', Guy Philippe, 36 anos, participou ontem, no teto de um carro, da manifestação opositora realizada em Porto Príncipe, que reuniu mais de 10 mil pessoas, testemunharam jornalistas da AFP. A imprensa local noticiou que duas pessoas morreram e 13 ficaram feridas durante a manifestação. O protesto teve a proteção do batalhão de choque haitiano e de militares americanos e franceses mas isso não teria impedido que partidários do ex-presidente Jean Bertrand Aristide disparassem contra a multidão.
O ex-delegado de polícia, que foi vinculado a uma tentativa de golpe de Estado contra Aristide em outubro de 2000, não vestia uniforme, e sim uma camiseta branca, e estava acompanhado de seis de seus homens, também vestidos de civis.
A passeata, que foi ganhando manifestantes à medida que avançava pela auto-estrada de Delmas, superou rapidamente 10 mil pessoas. Durante o protesto, foi arrancado um painel gigante e colorido do presidente derrubado, sob os aplausos da multidão. Os manifestantes anunciaram sua intenção de queimar o painel em frente ao palácio presidencial, no centro da capital.
Enquanto isso, em Bangui, capital da República Centro Africana, os centro-africanos são unânimes em pedir a saída rápida do país do presidente haitiano derrubado que se encontra desde a última segunda-feira no país e cuja estadia, a princípio transitória, está se prolongando.
''Por que as autoridades continuam hospedando Aristide e se queixando de seu comportamento? Ele deve ir embora rapidamente'', reclamou o motorista de táxi Antoine, referindo-se às acusações de sequestro feitas por Aristide, com o que perturba os anfitriões.
Partidos de oposição centro-africanos pronunciaram-se contra a presença de Aristide, e a população, traumatizada após 25 anos de rebeliões político-militares, teme que a permanência do ex-presidente haitiano provoque novas divisões no país.
Moradores de Bangui entrevistados pela AFP lembraram que o país, cuja situação econômica é catastrófica, onde trabalhadores estão com o salário atrasado há quatro meses e onde os estudantes não recebem suas bolsas de estudo, tem problemas mais importantes com que se preocupar do que a hospedagem de ''um ex-ditador''.
''Se derrubamos Patassé (Ange-Félix, chefe de Estado derrubado em 15 de março de 2003), foi para nos opormos à ditadura e aos ditadores'', afirmou o dono de cibercafé Justin. ''Mesmo sob pressão das potências estrangeiras, as autoridades deveriam se recusar a abrigar Aristide'', acrescentou.


