Oposição entregará manifesto em unidades militares, diz Guaidó
Lider de oposição reafirma compromisso de formar lei de anistia para os militares que romperem regime de Maduro
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de maio de 2019
Lider de oposição reafirma compromisso de formar lei de anistia para os militares que romperem regime de Maduro
France Presse 

Caracas - Os oponentes venezuelanos tentarão entregar um manifesto neste sábado (4) nas principais unidades militares do país, no qual eles pedem que as Forças Armadas rompam com o presidente Nicolás Maduro. A informação é do autoproclamado presidente do país, Juan Guaidó. "De maneira pacífica, civilizada (...) vamos entregar um documento simples, um manifesto às Forças Armadas para que ouçam o chamado venezuelano, que é possível uma transição rápida para gerar eleições livres", disse Guaidó em entrevista coletiva, nesta sexta-feira (4), um dia depois de convocar protestos para as guarnições.
Segundo o opositor, a mensagem ratificará o "compromisso" do legislativo, de maioria opositora, com uma lei de anistia para os militares que romperem com o governante socialista. Guaidó já havia organizado em janeiro protestos em destacamentos militares para entregar o texto dessa norma.
Este novo desafio acontece depois que, na última terça-feira (30), o deputado liderou a rebelião de um reduzido grupo de militares em Caracas, com a expectativa de que as Forças Armadas se somassem ao motim. No entanto, a cúpula reiterou sua lealdade a Maduro, depois que 25 militares pediram asilo nas embaixadas de Brasil e Panamá, e o opositor Leopoldo López, solto pelos rebeldes de sua prisão domiciliar, refugiou-se na residência do embaixador da Espanha.
Guaidó reivindica que essa ação demonstrou que Maduro "não controla as Forças Armadas". O chefe da oposição ratificou o caráter pacífico das marchas de sábado, e pediu a seus apoiadores para evitarem provocações. "Em cada um dos Estados iremos (...) no marco da Constituição, de maneira não violenta, somar o que nos faz falta hoje para produzir a transição que todos desejamos", afirmou.
Guaidó insistiu em que mantém negociações secretas com oficiais das Forças Armadas que apoiam sua proposta de instaurar um "governo de transição" que convoque eleições presidenciais. "Há negociações com funcionários de todos os escalões, de todos os níveis. Fizemos todos os esforços desde o começo do ano para poder passar para uma democracia. Todos os esforços continuarão sendo feitos e vamos insistir por esta via", disse.
Os Estados Unidos lidam com as opções militares para a Venezuela "adaptadas" às circunstâncias, informou o chefe do Pentágono, Patrick Shanahan, nesta sexta-feira, depois de receber funcionários da equipe de segurança nacional do presidente Donald Trump. "Temos um conjunto completo de opções adaptadas a certas circunstâncias", disse Shanahan a jornalistas após a insurreição militar fracassada contra o presidente Nicolás Maduro nesta semana na Venezuela, liderada pelo chefe do parlamento Juan Guaidó.
O secretário de Defesa em exercício dos Eua, Patrick Shanahan, que cancelou uma viagem à Europa no último minuto devido à situação na Venezuela, disse que se encontrou nesta manhã com o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo; com o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, John Bolton e com o almirante Craig Faller, que lidera o Comando dos Estados Unidos para a América do Sul (SouthCom). "À medida que as condições mudam, fazemos modificações e ajustes", disse ele, recusando-se a especificar as operações militares planejadas.
Shanahan lembrou das reiteradas advertências de Trump de que "todas as opções" estão na mesa. "Tudo inclui tudo. Quero evitar entrar no que poderíamos fazer isso ou aquilo. O que as pessoas devem ter é a confiança de que nossos planos (...) têm profundidade", disse.
Questionado sobre a possibilidade de um destacamento naval na Venezuela, ele simplesmente respondeu: "Há muita água nas proximidades". O influente senador republicano Lindsey Graham sugeriu na sexta-feira que os Estados Unidos enviem um porta-aviões para a costa da Venezuela. "Cuba e Rússia enviam tropas para apoiar Maduro na Venezuela (...) enquanto falamos/sancionamos. Onde está nosso porta-aviões?", escreveu no Twitter.


