Jerusalém, Israel - A principal coalizão opositora do Egito convocou ontem os eleitores a votar contra o projeto de Constituição que o governo islamita levará a referendo no sábado.
Ao mesmo tempo, a Frente Nacional de Salvação manteve a ameaça de boicote à votação caso suas condições não sejam atendidas.
Formada por liberais, seculares, cristãos e esquerdistas, a coalizão acusa o presidente egípcio, Mohamed Mursi, de ''sequestrar'' a nova Constituição ao acelerar a aprovação de um texto moldado pela bancada islamita.
A controvérsia gerou os maiores protestos contra o presidente desde sua vitória apertada nas eleições de junho. Confrontos entre liberais e islamitas deixaram sete mortos e dezenas de feridos na última semana.
Tentando conter a crise, Mursi cancelou algumas cláusulas do decreto que lhe dera superpoderes, mas os protestos se voltaram contra o referendo constitucional.
A FNS, encabeçada pelo Nobel da Paz Mohamed ElBaradei e pelo ex-premiê Amr Moussa, anunciou que fará campanha contra o projeto de Constituição, mas avisou que emitirá um chamado de última hora pelo boicote caso a votação não preencha alguns requisitos.
Entre eles, que o referendo ocorra em apenas um dia, que haja monitoramento da Justiça e supervisão internacional e que a contagem comece imediatamente após o fechamento das urnas.
A primeira das condições foi derrubada horas depois do encontro da oposição, quando a Presidência anunciou que a votação, prevista para ser em apenas um dia, será dividida em dois sábados - dias 15 e 22.
A crise em torno da Constituição é mais um capítulo da turbulenta transição no Egito iniciada após a queda do ditador Hosni Mubarak, há quase dois anos. É também um dos legados problemáticos da junta militar que governou o país antes da vitória de Mursi, que optou por realizar eleições presidenciais sem que houvesse uma nava Constituição.

mockup