São Paulo - De acordo com os últimos dados do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela, os eleitores de Caracas deram mais votos aos partido de oposição, representados pela coligação Mesa da Unidade Democrática (MUD), do que aos partidários de Hugo Chávez. De acordo com o jornal ''El Universal'', a diferença é apertada, com apenas 741 votos a mais para os opositores, mas mesmo assim envia um sinal a Hugo Chávez de que a ''solidez'' do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) já enfrenta mais obstáculos do que antes.
O último balanço das urnas publicado pelo CNE dá 95 assentos ao PSUV, 61 aos opositores e 2 a outros partidos. Apesar de ter conquistado mais cadeiras no Parlamento do que a oposição, os chavistas perderam a maioria qualificada, o que deve dificultar a aprovação de leis e reformas propostas pela revolução bolivariana.
No Estado de Zulia, onde a oposição venceu 12 dos 15 assentos disponíveis, o governador Pablo Perez atribuiu a vitória à decisão da MUD de apresentar somente um candidato à cada uma das 165 vagas disputadas no Parlamento. ''Nós mostramos à Venezuela que podemos vencer se estivermos unidos'', disse.
Para o professor Miguel Tinker Salas, da universidade Pomona, nos EUA, a perda da maioria qualificada pode levar Chávez a se concentrar na resolução de problemas domésticos, que incluem o aumento da criminalidade, recessão econômica e uma crise energética.
O resultado das eleições legislativas ''pode forçá-lo a ser mais pragmático e crescentemente mais focado em assuntos internos, especialmente agora que ele tem seus olhos voltados para 2012'', quando poderá se reeleger, disse Salas.
Uma maioria simples, de até 109 das 165 vagas no Parlamento, força o governo Chávez a negociar com a oposição para a aprovação de leis orgânicas e de novos integrantes dos demais poderes públicos, como o Supremo Tribunal, a Procuradoria e o CNE, além de convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

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