BELGRADO - A frente oposicionista sérvia ameaçou ontem lançar-se às ruas de Belgrado em manifestações ainda maiores que as que vem realizando há 21 dias para a renúncia do presidente Slobodan Milosevic. As pressões populares devem se intensificar ainda mais depois que a Suprema Corte rejeitou ontem a apelação contra a anulação das eleições municipais pelos socialistas, os grandes derrotados do pleito. Um dos líderes do maior partido oposicionista, Zajedno, Vuk Drakovic disse que os protestos continuarão até que Milosevic renuncie.
Horas depois do anúncio da decisão da Suprema Corte, uma multidão estimada de 150 mil pessoas reuniu-se no centro da capital, Belgrado, para protestar contra a decisão dos juízes e voltar a exigir a renúncia de Milosevic, em manifestações que vêm se repetindo diariamente desde a anulação das eleições sob alegação de fraude pelo Partido Socialista (governista).
Líderes oposicionistas mostram-se preocupados com a possibilidade de provocações por parte da polícia, o que poderia acirrar ainda mais o clima de insatisfação popular, ao mesmo tempo que pedem a mediação internacional para a derrubada do presidente. ‘‘Esperamos uma reação enérgica do ocidente a este estado de terrorismo’’, declarou Draskovic, acrescentando: ‘‘A partir de hoje, Milosevic não é mais simplesmente um chefe de estado, mas o chefe de um estado terrorista.’’ Milosevic acatou a decisão da corte, mesmo depois dos protestos de Estados Unidos e de alguns países europeus, para que reconhecesse a vitória eleitoral da frente oposicionista em Belgrado e em outras 14 cidades sérvias.

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