Oposição diz que Maduro põe diálogo em crise
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quarta-feira, 14 de maio de 2014
Folhapress 
São Paulo - A oposição venezuelana declarou ontem que o diálogo com o governo de Nicolás Maduro está "em crise" depois da repressão a manifestações estudantis e o descumprimento das suas exigências para pôr fim à maior onda de protestos em uma década no país produtor de petróleo. As críticas foram feitas em comunicado pelo secretário-executivo da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo.
Hoje deve acontecer mais uma rodada do diálogo, articulado pela União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Vaticano, que pretende aproximar as partes em meio às mobilizações que deixaram 42 mortos e cerca de 800 feridos desde fevereiro.
"Já transcorreram os primeiros 30 dias deste processo de diálogo político que o país quer e precisa", disse Aveledo, segundo um comunicado. "Este processo de diálogo está em crise, e por responsabilidade do governo nacional."
Já o presidente havia afirmado que não abandonaria o diálogo, apesar das pressões que estaria sofrendo por parte de seus opositores. "Há muitas pressões para destruir os níveis básicos de diálogo que temos com a oposição política. Eu não vou deixar a mesa de diálogo e espero que eles também não o façam", disse o presidente durante seu programa de rádio "Em Contato com Maduro".
O jornal venezuelano "El Universal" recebeu ontem autorização do Cencoex, órgão que regulamenta a compra de dólares por empresas privadas no país, para nacionalizar as 600 toneladas de papel que havia adquirido. O produto havia chegado em janeiro passado e se encontrava retido em um depósito no porto de destino. Com a autorização, o jornal será capaz de prosseguir normalmente com sua publicação. Com a falta de dólares e a crise de abastecimento, muitas empresas de mídia têm encontrado dificuldades para importar a matéria-prima, lançando suspeitas de que o governo esteja deliberadamente dificultando o acesso destes para silenciar vozes de oposição.


