France Presse
Nairobi
Crianças abandonadas nas ruas, escolas caras, hospitais precários, serviços públicos em ruínas, violência, corrupção. O balanço social do presidente queniano Daniel Arap Moi é o argumento favorito da oposição ante as eleições presidenciais e legislativas que serão realizadas amanhã.
‘‘Quando se vai para o hospital, é preciso levar a comida e até quase a cama’’, afirmou envergonhado um eleitor que não votará em Arap Moi.
Para conseguir mais uma vez a vitória, o atual presidente - no poder desde 1978 - e seu partido, a União Nacional Africana do Quênia (Kanu), se apóiam na relativa estabilidade e prosperidade do Quênia, em uma região assolada por numerosas guerras e matanças.
É muito difícil para o atual regime orgulhar-se da situação social do país, cujas carências atribui, contudo, aos doadores de recursos e às instituições financeiras internacionais, que frequentemente suspendem a ajuda devido à corrupção.
Desde o início do ano, diferentes setores sociais convocaram seis greves, principalmente professores e enfermeiras, cujos salários são muito precários, embora realizem um trabalho tremendamente duro em centros mal-equipados.
Muitos quenianos não vão para o hospital porque sabem que não poderão pagar os cuidados e medicamentos recebidos. Por não existir um sistema de previdência social, alguns se inscrevem em seguros médicos particulares, outros confiam na sorte ou em Deus e acabam mesmo morrendo.

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