MINSK - O presidente do Parlamento da Bielo-Rússia, Simon Sharetski, qualificou ontem de farsa o referendo de domingo, que amplia consideravelmente os poderes do presidente Alexander Lukashenko, e disse que a medida equivale a instauração de uma ditadura. ‘‘Pedimos à Europa para não deixar que a ditadura se instale na Bielo-Rússia, já que se trata disso’’, afirmou.
Lukashenko, entretanto, negou que seu triunfo na votação seja a chegada de uma ditadura: ‘‘A preocupação do Ocidente de que na Bielo-Rússia possa se instalar uma ditadura carece de fundamento, pois os resultados da apuração demonstram o contrário.’’
A maioria dos bielo-russos que participaram domingo do referendo se pronunciaram a favor de uma reforma na Constituição. O projeto do presidente bielo-russo foi aprovado por 70,5% dos eleitores inscritos, segundo informou Lidiya Yermoshina, presidente da Comissão Eleitoral Central. Para ser adotado, deveria contar com o apoio de pelo menos 50% dos 7,3 milhões de eleitores.
O projeto apresentado pelos deputados opositores e que previa a supressão do cargo de presidente, obteve somente 7,9% de aprovação. A proposta de Lukashenko de mudar o feriado nacional para 3 de julho, o aniversário da libertação de Minsk pelo Exército Soviético na Segunda Guerra, recebeu 88,2% de votos. Outros dois projetos do Parlamento receberam pouco apoio: abolição da pena de morte e liberação do mercado.

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