Oposição cubana critica pacote dos EUA
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de maio de 2004
France Presse 
Havana - Quatro importantes líderes da oposição ao governo de Fidel Castro criticaram ontem as medidas políticas e econômicas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para uma transição democrática em Cuba.
Elizardo Sánchez Santacruz, líder da Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional (CCDHRN); Oswaldo Payá SardiÀas, gestor principal do Projeto Varela; o ex-comandante Eloy Gutiérrez Manoyo e Manuel Cuesta Morúa, do Arco Progressista, não pouparam palavras contra o pacote americano.
Quinta-feira passada, Washington divulgou um documento que pretende reduzir o fluxo de dólares enviados para Cuba por cubanos residentes nos EUA, limitar as viagens para a ilha de cubano-americanos que vivem em território americano, potencializar as emissões de Rádio e TV Martí com transmissões de aviões e aumentar a ajuda financeira à dissidência, entre outras medidas. Essas propostas, referendadas pelo presidente George W. Bush, não foram bem recebidas pelo governo de Havana, e tiveram reações diversas da oposição interna.
Uma declaração do Partido Comunista de Cuba e do Governo destacou que estas medidas ''cruéis e covardes vão impor, sem dúvida, alguns sacrifícios a nosso povo, mas não conseguirão deter, por nem um segundo, a marcha rumo aos objetivos humanos e sociais''.
Para Elizardo Sánchez, as medidas anunciadas pelos Estados Unidos são ''totalmente contraproducentes, objetivamente intervencionistas e sugerem a transgressão do elementar direito humano à liberdade de movimento das pessoas, o mesmo cujo respeito pedimos ao regime totalitário de Cuba''.
Por sua vez, Oswaldo Payá disse que ''ninguém aceitará que nenhum fator externo, seja dos Estados Unidos da América, da Europa ou de qualquer parte, tente desenhar o processo de transição cubano ou supostamente se tornar ator do mesmo. Cabe aos cubanos realizar as mudanças''.
As recomendações da Comissão de Ajuda para a Transição em Cuba ''constituem uma tentativa intervencionista'', afirmou Gutiérrez Menoyo, que entregou hoje uma carta na Seção de Interesses dos Estados Unidos em Havana, dirigida ao secretário de Estado Colin Powell.
''Se forem aceitas como foram redigidas, não será exagero meu dizer que os Estados Unidos estão querendo criar condições para um confronto entre Cuba e Estados Unidos'', acrescentou o dirigente do grupo ''Cambio Cubano'', com sede em Miami.
Segundo ele, a entrega de recursos financeiros por Washington à oposição interna na ilha ''ignora a capacidade dos cubanos para elaborar seus próprios projetos''.
Sexta-feira passada, Vladimiro Roca, coordenador de ''Todos Unidos'', disse que as medidas representam ''um gesto de solidariedade com o povo cubano e a democratização interna, apesar delas terem aspectos questionáveis''.
Mas os dissidentes também apontaram seus canhões para Havana. Gutiérrez Menoyo dirigiu-se ao governo de Fidel Castro para pedir-lhe ''que entenda de uma vez por todas os riscos que enfrenta, não apenas um homem, não apenas um governo, nem um partido, mas toda a nação cubana''.
''É hora de o governo entender de uma vez por todas que podemos conseguir saídas honrosas, inovadoras e frescas para preservar, não somente as conquistas de determinado processo, mas os destinos da Nação cubana'', acrescentou.


