Caracas - A falta de transparência nas contas da edição deste ano do Fórum Social Mundial, em Caracas, está provocando críticas dos partidos de oposição ao presidente Hugo Chávez e suspeitas entre os membros do Conselho Internacional do evento. Teme-se uma interferência excessiva do governo, maior do que já ocorreu nas edições promovidas no Brasil e na Índia, e, consequentemente, a perda da independência que constam da carta de princípios.
Até agora, os organizadores não souberam dizer com exatidão quanto o fórum vai custar, nem qual é a participação do governo da Venezuela.
Ontem, o responsável pela área de comunicação do comitê local, Julio Fermin, afirmou que a estimativa de custo operacional do evento é de US$ 50 mil. O governo da Venezuela teria entrado com um aporte de US$ 69 mil e as organizações não-governamentais que dão ao apoio ao evento, com outros US$ 100 mil. Por essas contas, estaria sobrando dinheiro em caixa.
Os números, porém, não fazem sentido, quando se considera que o custo da edição em Porto Alegre, foi muito maior: R$ 4 milhões.
Certo até agora é que em nenhuma das cinco edições do fórum houve tanta interferência de um governo como agora. Segundo o brasileiro Hugo Grzybowski, membro do Conselho Internacional, ''em Caracas, seremos quase totalmente dependentes de Chávez''.

mockup