Aproveitando-se das ameaças feitas pelos Estados Unidos contra o movimento integrista islâmico Taleban, que governa 95% do Afeganistão, as forças de oposição lançaram ontem duras ofensivas contra vários pontos estratégicos no país.
A Aliança do Norte, uma coalizão de grupos opostos ao Taleban, anunciou ontem ter conquistado as cidades de Zari e Keshendeh, na Província de Balkh, norte do país, e ter matado pelo menos 60 talebans.
O chanceler da Aliança do Norte, Abdullah Abdullah, que está reunido com uma delegação russa e altos funcionários tajiques em Dushanbe, capital do Tajiquistão, informou também sobre violentos combates na província ocidental de Herat, nas montanhas, perto da cidade de Pahtun Zarghun. Os comandantes da Aliança disseram que eles estão avançando em direção à cidade, controlada pelo Taleban.
As forças de oposição, que estão usando tanques para consolidar suas posições ao longo de seu caminho capturaram quatro vilarejos na Província de Faryab, sudoeste da cidade de Mazar-i-Sharif, no norte do Afeganistão. O general Abdul Rashid Dostum, um dos líderes da Aliança do Norte, informou que a oposição também conquistou Safid, na Província de Samangan, perto da fronteira com o Usbequistão.
O general Dostum disse por telefone que pelo menos 200 talebans haviam sido capturados.
Os combates intensificaram-se no norte do Afeganistão durante a última semana, pois a oposição, além de querer vingar o recente assassinato de seu líder, o comandante Ahmed Shah Massud, ampliou seus ataques com a perspectiva de uma intervenção americana contra o Taleban, que se recusa a entregar o milionário saudita Osama bin Laden.
A Aliança do Norte, que ainda é amplamente reconhecida como o verdadeiro governo do Afeganistão, tem oferecido sua experiência aos EUA para os possíveis ataques no país.
A Aliança informou que está tentando cortar as rotas para Mazar-i-Sharif, controlada pelo Taleban, para isolar a milícia islâmica. O controle das vias de comunicação é crucial na guerra civil no Afeganistão, onde as rotas são muito escassas.
Não foi possível confirmar as afirmações, pois os países vizinhos do Afeganistão fecharam suas fronteiras e quase todos os funcionários estrangeiros, entre eles os de ajuda humanitária, abandonaram o país.
O fechamento das fronteiras também impede a importação de alimentos e medicamentos, criando uma notável escassez no comércio e hospitais. Além disso, muitos afegãos começaram a saquear casas e lojas que haviam sido abandonados pela população que buscou refúgio no Irã e Paquistão, antes do fechamento das fronteiras, ou na região montanhosa.

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