Oposição ameaça um banho de sangue
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terça-feira, 10 de dezembro de 1996
Reuter, de Belgrado 
Revoltados com o espancamento de um manifestante na prisão, dezenas de milhares de estudantes sérvios iniciaram ontem a quarta semana de protestos contra o governo socialista, enquanto os EUA pediam que o presidente Slobodan Milosevic dialogue com a oposição.
A tensão na Iugoslávia cresceu depois que a Suprema Corte confirmou, no domingo, a anulação das eleições municipais de 17 de novembro - vencidas pela frente oposicionista Zajedno em Belgrado, Nis e várias outras grandes cidades. Acreditava-se que a decisão tivesse esgotado os recursos legais, mas a Comissão Eleitoral de Belgrado anunciou ontem que recorrerá à Suprema Corte da nova Iugoslávia (formada por Sérvia e Montenegro) para tentar reverter a anulação.
Segundo analistas, aparentemente a manobra da comissão (acusada pelo Zajedno de colaborar com o regime) visa evitar a escalada dos protestos e dar a Milosevic o tempo necessário para esvaziar o movimento popular.
Apesar disso, 40 mil manifestantes voltaram às ruas e a oposição pediu que os operários e camponeses se unam aos protestos para forçar Milosevic a deixar o poder. Os trabalhadores não têm nada a perder, exceto sua miséria, afirmou um líder do Zajedno, Vuk Draskovic.
Outro dirigente do Zajedno, Zoran Djindjic, anunciou que a oposição boicotará o novo Parlamento iugoslavo, que foi eleito em 3 de novembro e realizará hoje sua primeira sessão. Em entrevista à rádio independente B-92, Djindjic pediu que o governo negocie uma saída política para a crise, caso contrário esta acabará num banho de sangue.
Agravando a raiva dos manifestantes, a mãe do estudante Dejan Bulatovic - preso sexta-feira por carregar um boneco de Milosevic com uniforme de presidiário - denunciou que ele foi espancado na cadeia. Segundo ela, policiais quebraram o nariz de Bulatovic, forçaram-no a tirar a roupa e deitar no chão de concreto da cela (com uma janela aberta) e enfiaram o cano de uma pistola na sua boca.


