São Paulo - Ao menos duas antenas instaladas em um prédio do Ministério da Defesa, em Buenos Aires, foram usadas para a Agência Federal de Inteligência (AFI) para "fazer espionagem política massiva", diz o jornal argentino "Clarín", de oposição ao governo de Cristina Kirchner, citando autoridades militares que falaram sob condição de anonimato. Segundo denúncia feita à Justiça nesta semana, quase 200 personalidades são alvo de grampo supostamente patrocinado pelo governo Kirchner. A acusação foi feita pelas deputadas Laura Alonso e Patricia Bullrich, do PRO (Proposta Republicana), partido de Mauricio Macri, candidato opositor à Presidência.
As antenas, que, segundo as fontes ouvidas pelo jornal, têm o formato de uma grande parabólica, foram desenvolvidas pelas próprias Forças Armadas e são operadas desde 2003 pela Side (antigo nome da AFI). Segundo a denúncia, elas captam conversas telefônicas, e-mails e comunicações por rádio, entre outras trocas de informações. "Desde 2002 não intervêm [no funcionamento] os militares, nem funcionários da Defesa", dizem as autoridades ouvidas pelo "Clarín". O chefe da AFI, Oscar Parrilli, negou ao jornal argentino o uso das antenas para espionagem política. O ministro da Defesa, Agustín Rossi, afirmou ao jornal "Página 12" que não há nenhuma dependência do Exército nos prédios onde estão instaladas as antenas. O candidato à Presidência Daniel Scioli, apoiado por Cristina Kirchner, também rechaçou as denúncias ao "Clarín".
Em documento entregue à Justiça, no qual solicita a apuração da suspeita, a deputada Laura Alonso afirma que tomou conhecimento do suposto grampo por uma ligação de uma pessoa que se identificou como membro do serviço de inteligência.

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