Oposição a ataque contra o Iraque
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quinta-feira, 01 de agosto de 2002
Agência EFE 
CairoUm possível ataque dos Estados Unidos contra o Iraque ''seria uma decisão pouco sensata'' tomada à margem da política das Nações Unidas, afirmou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Em entrevista divulgada ontem pelo jornal árabe internacional ''Al Hayat'', Annan afirma também que não está preparando o terreno para uma possível ação bélica americana contra o regime do presidente iraquiano, Saddam Hussein.
''Não tenho o desejo nem a ordem de preparar um ataque contra o Iraque. Acho que seria uma decisão pouco sensata. A convocação dos Estados Unidos a uma mudança de regime no Iraque não reflete a política da ONU'', explica o diplomata.
Além disso, Annan revelou que não tem planos imediatos de viajar para Bagdá a fim de tentar reduzir o atual clima de tensão, como já fez em ocasiões passadas. O atual secretário-geral da ONU visitou Bagdá em 1997, um ano antes do último bombardeio em massa sobre a capital iraquiana promovido pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido.
Os Estados Unidos, que acusam o Iraque de estar ligado à rede terrorista internacional ''Al Qaeda'' de Osama bin Laden e de manter um arsenal de armas de destruição em massa, não escondem que há meses trabalham ativamente para derrubar Saddam Hussein.
JordâniaO rei Abddulah II da Jordânia, que se reuniu ontem com o presidente George W. Bush na Casa Branca, disse que será ''um grande erro'' se os dirigentes norte-americanos ignorarem as advertências lançadas do exterior contra uma operação militar no Iraque.
Em entrevista publicada pelo jornal The Washington Post o soberano afirmou: ''Todas as pessoas com que me reuni no mundo dizem que é uma péssima idéia. Se os Estados Unidos parecem pensar em atacar Bagdá, não é o que pensam os jordanianos, os britânicos, os franceses, os russos, os chineses ou qualquer outro''.
Turquia preocupadaO primeiro-ministro da Turquia, Bulent Ecevit, expressou ontem sua inquietação pelas atividades dos Estados Unidos no norte do Iraque, informou o jornal turco ''Radikal''. ''Queremos saber os detalhes das reuniões que os EUA estão mantendo com os líderes curdos'', declarou Ecevit, que acrescentou que Ancara deve ''ser informada detalhadamente sobre estas atividades''. Ancara, que manifestou sua oposição a um possível ataque dos Estados Unidos contra o Iraque, teme que qualquer desordem no Curdistão iraquiano se estenda à minoria curda concentrada na sudeste da Turquia.
Mais discordânciaUm ataque militar americano contra o Iraque ''não é justificável de maneira alguma'', assegurou ontem o ex-coordenador das Nações Unidas para questões humanitárias no Iraque, o alemão Hans von Sponeck. Em declarações à rádio pública austríaca ORF, Sponeck criticou duramente os planos de intervenção militar dos EUA contra o regime de Bagdá.


