Um grupo de operários-padrão eleitos delegados do 15º Congresso do Partido Chinês (PCC), aberto na sexta-feira, em Pequim, justificaram ontem a reestruturação das empresas estatais, proposta pelo presidente chinês e secretário-geral do PCC, Jiang Zemin, e que têm opositores por ameaçar deixar nas ruas do país milhões de desempregados.
‘‘Com a abertura de parte do capital das empresas estatais a empresas públicas e a seus empregados, poderemos ser nossos próprios patrões’’, afirmou Wang Qimin, engenheiro de petróleo, em entrevista à imprensa.
Jiang havia advertido em seu discurso inaugural que os empregados deveriam estar prepararados para tempos difíceis com a implantação das reformas. ‘‘Será difícil evitar as demissões, mas os superiores deverão ser sobrepostos aos inferiores.’’
Li Suli, a vendedora de passagem de ônibus mais conhecida de Pequim, concorda com seu colega: ‘‘Como acionistas das empresas, poderemos ser integrados à reforma e à vida das empresas.’’
Por sua vez, Li Guo-an, comandante do Exército Popular de Libertação defendeu a redução de 500 mil homens, anunciada também por Jiang. Segundo ele, foi uma ‘‘resposta forte as acusações sobre a ameaça chinesa’’.
O realce às figuras exemplares está enraizada em velha tradição chinesa. Desde a criação da China comunista, em 1949, o principal ‘‘herói’’ nesse gênero foi o soldado Li Feng, que se dedicou de corpo e alma a Mao Tsé-tung até morrer num acidente de trânsito.
Este ano, o auge dos operários-padrão poderia ser a eleição de Li Suli para o Comitê Central, no encerramento do congresso, dia 18, segundo rumores que circulam por Pequim.

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