Operações de buscas no Costa Concordia são suspensas
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
France Presse 
Ilha de Giglio - As operações de busca dos desaparecidos após o naufrágio na sexta-feira passada do navio Costa Concordia perto de uma ilha italiana foram suspensas ontem, indicou à AFP um porta-voz dos bombeiros. ''Os instrumentos (de medida em terra firme) revelaram que o navio se move, estamos avaliando se encontrou um novo ponto de apoio antes de decidir se podemos retomar as operações. Por enquanto, não podemos nos aproximar'', declarou o porta-voz, Luca Cari.
Os socorristas trabalharam durante toda a noite em busca de possíveis sobreviventes. Até o momento, foram recuperados 11 cadáveres, dos quais cinco foram identificados. ''Praticamente terminamos de controlar a parte que está fora da água'', acrescentou Cari.
Duas equipes de mergulhadores da marinha italiana reiniciaram a exploração da parte submersa do navio, perfurando o casco com minicargas explosivas. A busca se concentra em uma parte situada a 18 metros de profundidade que corresponde ao convés número 4 do navio, onde na terça-feira foram encontrados cinco corpos com coletes salva-vidas.
No convés número 4 estavam as lanchas de salvamento que permitiram salvar a vida de boa parte das 4.229 pessoas - mais de 3,2 mil turistas e mil tripulantes - que estavam no Costa Concordia no momento do acidente.
O capião de um dos rebocadores que participam dos trabalhos de resgate precisou ser hospitalizado devido ao estresse e à carga de trabalho, disse à AFP Filipo Marini, um porta-voz da guarda-costeira.
Além disso, as equipes se preparam para começar o bombeamento do combustível que ainda se encontra no interior do barco. ''Estamos instalando todo o necessário para começar o bombeamento, mas, por enquanto, não sabemos quando começaremos, isso dependerá das condições do tempo'', disse o comandante Cosimo Nicastro, outro porta-voz da guarda-costeira.
As autoridades italianas temem um desastre ecológico caso as 2,4 mil toneladas de combustível que se encontram nos reservadórios do Concordia caiam no mar, nocoração de uma região considerada uma reserva natural.
Prisão domiciliar
Por outro lado, o comandante do navio foi libertado durante a noite e levado a Meta di Sorrento, no sul da Itália, onde cumprirá prisão domiciliar, informou a imprensa italiana. O capitão Francesco Schettino, acusado de homicídios múltiplos por imprudência e abandono de navio, foi detido no sábado pelo procurador de Grosseto, Francesco Verusio. Schettino chegou a sua casa de Meta di Sorrento às 2 horas local (23h de Brasília) escoltado por policiais. Ele entrou em casa por uma passagem secundária para evitar os fotógrafos e repórteres.
A situação do capitão piorou muito depois da divulgação da gravação com a capitania dos portos, na qual fica evidenciado que Schettino abandonou o barco e não prestou socorro aos passageiros. Nesse contexto, a juíza de instrução italiana, que decidiu a prisão domiciliar do comandante, admitiu que existem ''graves índicios'' de culpabilidade contra Schettino. Segundo ela, ele seria responsável por ''um desastre de proporções mundiais''.
A juíza Valeria Montesarchio enfatizou que o capitão se negou a voltar a bordo, apesar da ordem do comando da Capitania, e que não há dúvidas da gravidade de suas ações.


