Operação em Paris deixa dois mortos
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quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Das agências 
Saint-Denis - Uma megaoperação antiterrorismo em Saint-Denis, subúrbio ao norte de Paris, terminou com a prisão de sete suspeitos e a morte de duas pessoas, incluindo uma mulher-bomba, que teriam ligação com os ataques terroristas que deixaram 129 mortos e 352 feridos na semana passada na capital francesa.
Por volta de 4h20 (1h20, horário de Brasília) de ontem, policiais cercaram a esquina das ruas Corbillon e République, centro da cidade, a cerca de 500 metros da catedral gótica de Saint-Denis. Mais tarde, soldados chegaram ao local da operação, que durou mais de sete horas.
Os suspeitos, cujas identidades não foram reveladas, ocupavam um ou mais apartamentos na região. Houve uma intensa troca de tiros e explosões. Segundo as autoridades, uma mulher-bomba se suicidou ao detonar explosivos que carregava junto ao corpo. Relatos apontam que um segundo suspeito teria sido morto por um atirador da polícia. Além disso, três suspeitos foram presos em um apartamento e outros quatro nos arredores. Cinco policiais ficaram feridos. As autoridades disseram que um cão policial fêmea foi morto.
As autoridades orientaram os moradores a não deixar suas casas. Estações de trem e estabelecimentos comerciais na região foram fechados, e aulas escolares canceladas. Após a operação, a polícia arrombou a porta da catedral de Saint-Denis, aparentemente para fazer investigações forenses.
Segundo a Procuradoria, a operação antiterrorismo foi lançada após interceptações telefônicas indicarem que o belga Abdelhamid Abaaoud, suposto cérebro dos atentados, estaria em Paris, e não na Síria, como se acreditava inicialmente. O extremista continua foragido. Além disso, a operação buscava suspeitos ligados a Ismael Mostefai e Samy Amimour, dois dos três terroristas que mataram 89 pessoas na casa de shows Bataclan - ambos se explodiram após os atentados.
GUERRA
O presidente François Hollande apelou aos franceses que não cedam ao medo nem à tentação de revidar, após os atentados realizados pelo Estado Islâmico (EI).
"O Daesh (acrônimo árabe para o EI) quer destilar, através das próprias mortes, o veneno da suspeita, da estigmatização, da divisão. Não cedam à tentação de revidar, não cedam ao medo e aos excessos", pediu. Ontem, o governo propôs formalmente ao Parlamento estender por três meses o estado de emergência que está em vigor no país desde os atentados. A proposta inclui medidas que dão permissão às autoridades para proibir "qualquer associação ou encontro", incluindo mesquitas e grupos comunitários.
Os familiares das 129 vítimas que já foram identificadas puderam prestar uma homenagem no necrotério do Instituto Médico Legal (IML) da capital e as autoridades estão entregando as autorizações para enterro à medida que as necropsias são concluídas. Dos 350 feridos nos atentados, 221 continuam hospitalizados, vários em estado grave.


