Depois de quatro horas de conversações informais, e respondendo a apelos no mundo todo, os 11 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) decidiram ontem, em Viena (Áustria), aumentar em 800 mil barris a produção diária do petróleo. A nova cota entrará em vigor dia 1º de outubro e os membros da Opep devem reunir-se novamente em 12 novembro para avaliar, mais uma vez, as condições do mercado.
A medida da organização visa equilibrar os preços da commodity que ultrapassaram, na última semana, US$ 34 o barril, a maior alta registrada desde a crise do Golfo, em 1990. O aumento da produção, o terceiro autorizado pelo cartel neste ano, representa 3% a mais em cima da produção atual de 25,4 milhões de barris e não inclui o Iraque.
Ao abrir oficialmente a conferência ministerial da Opep, o ministro venezuelano da Energia, Alí Rodríguez, cujo país exerce a presidência rotativa do cartel, declarou que a decisão adotada pela Opep, de aumentar a produção, é um ‘‘sinal aos mercados’’.
No entanto, para deixar claro que o nervosismo do mercado frente a alta do petróleo vem ‘‘em segundo lugar’’, depois das prioridades do cartel, Rodríguez disse: ‘‘Nós (Opep) atuamos de acordo com os interesses dos nossos países, que são soberanos e, depois, de acordo com os requerimentos do mercado.’’
O cartel dos países exportadores espera que, com o aumento da produção em 800 mil barris diários, o preço do petróleo volte a US$ 22 e US$ 28 o barril.
O ministro saudita do Petróleo, Ali al-Naimi, afirmou que a organização estaria disposta a efetuar um novo aumento de sua produção na reunião de novembro se o aumento de 800 mil barris não for suficiente para baixar os preços, segundo a agência WAM. A Arábia Saudita é o maior produtor da Opep.
Segundo analistas, apenas o aumento da produção não seria suficiente para baixar os preços do petróleo. Além dos altos impostos cobrados sobre o produto, existe ainda a escassez de navios para levar o produto ao seu destino. Poucos barcos podem cumprir as novas e severas disposições de segurança para o transporte marítimo de petróleo. De acordo com especialistas, seriam necessários pelo menos dois anos para que uma frota adequada fosse novamente estabelecida.

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