Onze meses após ser eleito, Papa nomeia 15 cardeais
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quarta-feira, 22 de março de 2006
Folhapress 
São Paulo - Onze meses após ter sido eleito Papa, Bento XVI realizará amanhã e sábado um consistório para nomear os primeiros 15 cardeais de seu pontificado.
A última nomeação de cardeais foi há dois anos e meio, quando João Paulo II presidiu a 9 assembléia do seu pontificado. Na ocasião foram nomeados 31 cardeais, entre eles dois espanhóis, três ibero-americanos e um que não foi revelado (''in pectore'').
Entre os novos 15 cardeais, 12 têm menos de 80 anos, os quais, segundo uma norma do Vaticano, podem participar de um eventual Conclave (reunião de cardeais que escolherão o próximo Papa). Os outros três, que já ultrapassaram a idade-limite, não podem participar da votação. Embora não possam votar nos conclaves, podem ser eleitos para o pontificado.
Os novos cardeais com menos de 80 anos são os arcebispos Antonio Caizares, de Toledo (Espanha), Jorge Liberato Urosa Savino, de Caracas (Venezuela) e Stanislaw Dziwisz, de Cracóvia (Polônia), que foi secretário particular de João Paulo II.
Os outros são o americano William Joseph Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), o esloveno Franc Rode, prefeito regional para os Institutos de Vida Consagrada, e o italiano Agostino Vallini, prefeito regional do Tribunal Supremo da Assinatura Apostólica.
Também foram escolhidos Gaudencio Rosales, arcebispo de Manila (Filipinas); Jean-Pierre Ricard, de Bordeaux (França); Nicolas Cheong-Jin-Suk, de Seul (Coréia do Sul); Sean Patrick O'Malley, de Boston (EUA); Carlo Caffarra, de Bolonha (Itália), e Joseph Zen Ze-Kiun, de Hong Kong (China).
Os cardeais acima de 80 anos são o italiano Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, Arcipreste da Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma; o ganês Peter Poreku Dery, arcebispo emérito de Tamale; e o jesuíta francês Albert Vanhoyem, ex-reitor do Pontifício Instituto Bíblico e secretário da Pontifícia Comissão Bíblica.
As nomeações mostram que Bento XVI deu maior espaço no Colégio Cardinalício aos arcebispos do que aos membros da Cúria e que deu maior poder ao continente asiático, de onde vieram três dos cardeais com menos de 80 anos.
Os observadores do Vaticano também dizem que Bento XVI nomeou arcebispos muito próximos a ele, baseando-se mais nas pessoas do que nos postos que ocupam.
Se João Paulo II considerava a igreja da Ásia como ''um dever para o terceiro milênio'', Bento XVI elegeu-a como uma prioridade e, assim, premiou com três cardeais o continente onde a Igreja Católica mais cresce. A religião continua sendo minoritária na região e tem que conviver com outras crenças como o hinduísmo e o islamismo.
Bento XVI disse que ''pretende manter'' a norma fixada por Paulo VI e seguida por João Paulo II, de que o número máximo de cardeais que podem votar continue sendo de 120.
Atualmente o Colégio Cardinalício é composto por 178 membros, sendo 110 deles eleitores.


