Washington As Nações Unidas vão retirar, pelo menos temporariamente, seus funcionários do Iraque em decorrência dos atentados contra seus escritórios no país, informa o jornal americano Washington Post. Em resposta aos ataques, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, decidiu retirar os 15 funcionários do organismo que ainda estão em Bagdá, destaca o jornal.
''Pedimos às pessoas que estão em Bagdá que abandonem temporariamente suas posições para consultas em nossa sede, que terão o objetivo de discutir o futuro de nossas operações, incluindo, em particular, os assuntos de segurança'', disse Marie Okabe, porta-voz da ONU, ao Post.
Dessa maneira a ONU se uniria ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha ao abandonar a capital iraquiana por causa dos atentados.
''Todos os expatriados vão abandonar o Iraque nas próximas horas. Eles devem reunir-se em poucos dias num país vizinho com os diretores de Genebra'', afirmou a porta-voz da Cruz Vermelha, Nada Doumani. ''Vamos analisar quem deve permanecer e vamos decidir quais atividades seguiremos desempenhando'', acrescentou.
EUA lamentam A decisão da ONU contraria o desejo dos Estados Unidos, que não param de afirmar que avanços estão sendo obtidos no Iraque. A retirada provoca dúvidas ainda maiores sobre as declarações de Washington de que a situação está melhorando no Iraque, onde nos últimos dias foram registrados os piores atentados desde que os Estados Unidos invadiram o país, no mês de março, com o objetivo de derrubar Saddam Hussein.
A ONU reduziu drasticamente o número de funcionários estrangeiros em Bagdá depois do atentado, que causou 22 mortes, entre elas a do diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, representante do secretário-geral no Iraque.
Washington havia pedido também ao Comitê Internacioanal da Cruz Vermelha que não abandone o país depois do sangrento atentado contra a sede do organismo em Bagdá.
Mortes O número de militares americanos mortos desde o fim dos principais combates, no dia 1º de maio, chega a 117, superando as perdas registradas durante a invasão.
Explosão Uma pessoa morreu e outras cinco ficaram feridas em um incêndio declarado na noite de ontem em dois prédios do centro de Bagdá, depois da ocorrência de uma forte explosão, informou a polícia. ''Devemos esperar que os bombeiros apaguem o incêndio para ver se existem mais mortos ou feridos'', afirmou um policial iraquiano. ''O imóvel inteiro tremeu e ninguém sabe se foi uma bomba ou um carro-bomba. Lá só havia prensas. Pode se tratar de uma vingança pessoal'', conjeturou o dono de um restaurante vizinho.
O fogo se propagou em dois imóveis situados na rua mais antiga de Bagdá, a Rachid, onde se encontram muitas livrarias.
Pouco depois, uma bomba explodiu na passagem de um comboio americano no centro de Bagdá, danificando o veículo militar Humvee que foi atingido por um artefato explosivo, afirmou o policial Mohanad Salman.
Em Fallujah - Um artefato explodiu ontem na passagem de um trem que transportava produtos destinados às tropas americanas na saída de Fallujah, 50 km a oeste de Bagdá. Quatro vagões pegaram fogo depois da explosão e o condutor abandonou o trem e desapareceu.

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