Deutsche Presse
Depois do retorno maciço e caótico de quase a metade dos refugiados albano-kosovares, começou ontem a volta organizada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur. Os primeiros refugiados partiram da Macedônia em sete ônibus com destino a Pristina, a capital da província sérvia.
Até ontem, já haviam retornado ao Kosovo cerca de 400 mil pessoas, por seus próprios meios. Ainda se encontram na Macedônia e na Albânia um número semelhante de refugiados, que não dispõem de meios para se locomoverem e dependem da ajuda das organizações internacionais e humanitárias.
Até agora, a Força Internacional de Paz, KFOR, tem conseguido evitar com dificuldade os surtos de violência mas nos últimos dias houve inúmeros saques e incêndios em casas no Kosovo. Em Pristina, a capital, várias casas estavam ontem envoltas em chamas. Vários incêndios foram registradas na cidade de Pec, na fronteira com a Albânia.
No fim de semana houve linchamentos e incêndios criminosos provocados por grupos radicais. Casas abandonadas pelos sérvios em fuga e também de albaneses foram saqueadas. Na madrugada de anteontem, dois funcionários de uma organização internacional foram mortos por disparos, em Pristina.
Segundo um acordo de desmilitarização firmado pelo clandestino Exército de Liberação do Kosovo, todas as armas pesadas da organização deveriam estar a partir da meia-noite de ontem em arsenais que serão controlados pela KFOR. As armas automáticas devem ser entregues em três fases. A partir de ontem, os combatentes do ELK não poderão mais aparecer em público de uniformes nem exibir distintivos de sua organização. Os militantes desse grupo também não poderão portar armas de qualquer tipo fora das zonas assinaladas no acordo de desmilitarização.
Um padre ortodoxo sérvio foi atacado ontem por albaneses kosovares que o ameaçaram de morte caso não abandone sua igreja na cidade de Pec. O bispo da Igreja Ortodoxa Sérvia no Kosovo afirmou que o sacerdote foi espancado por um grupo de albaneses. Este é o segundo ataque a sacerdotes sérvios ortodoxos desde que as tropas internacionais de paz para o Kosovo entraram na província sérvia há duas semanas.
Ontem, um grupo de destacados intelectuais sérvios e líderes da Igreja Ortodoxa Sérvia exigiram que o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, renuncie em favor de seu povo. No comunicado, Milosevic e seu regime são acusados de ter provocado a maior derrota e capitulação na história da nação e do Estado sérvios com a guerra do Kosovo e a expulsão dos sérvios da província.

mockup