ONU sugere mudanças no transporte
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terça-feira, 08 de novembro de 2016
Dimmi Amora<br>Folhapress 
Brasília - Os países devem começar a mudar seus sistemas de transportes, adotando novos parâmetros que privilegiem mais o planejamento e o investimento em tecnologia e menos em grandes construções. É o que recomendou a Organização das Nações Unidas (ONU) num primeiro relatório escrito por uma comissão de 16 notáveis do setor convocada em 2014 para auxiliar o secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon. O texto delineia 10 diretrizes que os países devem perseguir até 2030 para assegurar uma melhoria no setor.
Elaborado após quase dois anos de trabalho, o trabalho aponta que deve haver integração entre as políticas de sistema de transporte e de infraestrutura. Também defende que os financiamentos para investimentos devem se basear numa visão "holística da natureza complexa dos investimentos em transportes e suas consequências", considerando que a utilização de tecnologias inovadoras e de combustíveis limpos são um "imperativo".
De acordo com o português José Viegas, presidente do ITF (International Transport Forum), órgão que auxilia a OCDE no setor e que participou do grupo de conselheiros, a atual política de transporte é baseada na tentativa de se fazer investimentos em grandes obras para aumentar a velocidade de deslocamento das pessoas, focando principalmente na motorização e no transporte individual.
Segundo ele, as diretrizes da nova política recomendada pela ONU passam a dar ênfase ao trinômio ASI (Avoid-Shift-Improve, que numa tradução livre seria Evitar, Aumentar e Melhorar) - evitar os deslocamentos não necessários, o aumentar é para o uso mais eficiente de energia e melhorar seria para os atuais meios se tornarem mais eficientes.
Esse trinômio, segundo Viegas, seria para evitar o que se chama de uso desnecessário do transporte com a adoção de novas tecnologias que tornem a utilização dos meios mais racional e menos poluente. "Transporte é mais que uma ferramenta para ir do ponto A ao B. É uma força para criar sociedades funcionais", disse Viegas por e-mail à reportagem.
Uma mudança em relação aos parâmetros atuais poderia reduzir a necessidade de investimentos no setor, estimada pela ITF em US$ 2,1 trilhões/ano no mundo se mantidos os atuais parâmetros, para US$ 1,4 trilhão, gerando uma economia estimada em US$ 700 bilhões ao ano.
AMBIENTE
O uso mais racional do setor colaboraria também, de acordo com o relatório, com a redução das emissões de gases do efeito estufa e está alinhado com as diretrizes da ONU que levaram ao Acordo de Paris. Segundo dados do ITF, cerca de 1/4 das emissões do mundo são de responsabilidade do sistema de transporte.
"O transporte verdadeiramente sustentável auxilia não apenas na prevenção das alterações climáticas, mas também se integra nas estratégias e políticas de desenvolvimento para apoiar o crescimento inclusivo e equitativo e o desenvolvimento social", relata Viegas.


