Associated Press
De Nova York
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse ontem que a força de pacificação deve entrar em Timor Leste o quanto antes e sem nenhuma condição. Ele também declarou que a composição da força deverá ser determinada pela ONU e o Conselho de Segurança.
Após autorizar o envio da força de paz, o governo indonésio apresentou ontem sérios obstáculos à parte central do plano. Principalmente com relação à liderança australiana da intervenção.
As Forças Armadas e um influente comitê parlamentar indonésios indicaram que os australianos não seriam bem recebidos em Timor Leste, mesmo antes da chegada do chanceler Ali Alatas a Nova York para a elaboração dos detalhes da operação.
A Austrália indicou que está preparada para liderar uma força internacional e poderia enviar de imediato a Timor Leste cerca de 4 mil homens que já estão de prontidão.
Centenas de manifestantes indonésios atacaram ontem o consulado da Austrália em Surabaya, a segunda mais importante cidade da Indonésia, contra a ‘‘injustificada’’ interferência australiana. Houve protestos também em Jacarta.
A Indonésia não havia esclarecido se desejava uma força de pacificação da ONU ou se aceitava uma força internacional com a autorização do CS da ONU. Recrutar e enviar uma força de paz da ONU geralmente leva algum tempo, mas uma força internacional poderia ser enviada rapidamente, tão logo o CS desse sua autorização, prevista para ontem.
O presidente indonésio, B. J. Habibie, também não mencionou a retirada de suas tropas de Timor Leste. Se essas tropas permanecerem, também deverão ser discutidos aspectos importantes para que os soldados indonésios e internacionais possam trabalhar em conjunto e decidir quem terá o comando da operação.
O presidente americano, Bill Clinton, declarou ontem em Auckland, Nova Zelândia, que é crucial o ‘‘envio imediato da força de paz’’. No último dia da reunião anual da Associação para a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), Clinton disse que os Estados Unidos poderão fornecer aviões e pilotos para o transporte de tropas de outras nações e ajudar nos aspectos logísticos, de comunicações e de inteligência. Ele também disse que funcionários americanos deveriam ter um papel no ‘‘comando e no controle’’.
A violência em Timor Leste começou no dia 4 quando a ONU anunciou o resultado do plebiscito amplamente favorável à independência do território.
Ainda ontem a União Européia aprovou a imposição por quatro meses de um embargo à venda de armas à Indonésia e a suspensão da cooperação militar como forma de pressionar Jacarta a respeitar o voto timorense pela independência.

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