ONU quer investigação sobre colônias
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quinta-feira, 22 de março de 2012
Folhapress 
São Paulo - O Conselho dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) autorizou ontem a criação de uma missão de investigação internacional independente sobre as consequências das colônias israelenses no ''território palestino ocupado, inclusive Jerusalém Oriental''.
Os 47 Estados membros do Conselho adotaram por 36 votos a favor, um contra e 10 abstenções uma resolução apresentada pelos palestinos, decidindo o envio de uma ''missão de investigação internacional independente (...) para avaliar as consequências das colônias israelenses nos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais do povo palestino''.
No dia 11 de março, o governo de Israel e colonos chegaram a um acordo para transferir os moradores de Migron, maior e mais antiga colônia ilegal da Cisjordânia, anunciou a rádio pública isralense.
O acordo, negociado pelo ministro sem pasta Benny Begin, prevê que os colonos se mudem do local atual para uma colina a dois quilômetros de distância, quando as casas destinadas a eles estiverem construídas.
A Suprema Corte de Israel havia ordenado, até o fim de março, a evacuação de Migron, construída 15 quilômetros ao norte de Jerusalém, em terras particulares palestinas.
Para a comunidade internacional, as colônias israelenses são ilegais, mesmo com a autorização do governo.
Mais de 310 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia, mais de 200 mil deles em bairros de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada em 1967.
Parques
ONGs israelenses denunciaram no dia 13 de março o governo de Israel por declarar áreas como parques nacionais em Jerusalém Oriental para assumir o controle de terrenos palestinos e estrangular o crescimento da população árabe.
Apesar da aparência de política verde e de respeito ao meio ambiente, a declaração de parques nacionais pode ser uma faca de dois gumes na parte oriental de Jerusalém, um território ocupado por Israel em 1967 e que o Estado judeu se apropriou em 1980 em um movimento de anexação não reconhecido pela comunidade internacional.
''É sabido por todos que o Estado explora os processos de planejamento (urbano) para cumprir uma agenda política centrada na posse judia das terras'', relata Sari Kronish, da ONG Bimkom - de arquitetos israelenses.
Conforme a organização, as normas para preservação da natureza e a paisagem servem ''em muitos casos'' de desculpa para as autoridades ''apropriarem-se de terras e ''judaizar'' o território''.


