São Paulo - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs ontem que se envie rapidamente uma missão para trabalhar no período de transição na Líbia, durante conferência internacional em Paris que reúne 60 países e organizações tratando do assunto.
''Tenho intenções de trabalhar estreitamente com o Conselho de Segurança para impulsionar uma missão da ONU que deverá começar suas tarefas o mais cedo possível'', disse. Líderes do Conselho Nacional de Transição, órgão político dos rebeldes, também participam do encontro.
Os rebeldes devem ressaltar as necessidades humanitárias pelas quais passa o país após seis meses de confrontos e as mudanças políticas que devem ocorrer durante período de transição. Diplomatas esperam sejam propostas diretrizes para a elaboração de uma Constituição líbia e eleições democráticas.
Apesar de a agenda de três horas ter como foco a reconstrução política e econômica do país africano, negociações nos bastidores devem refletir as disputas por contratos lucrativos em petróleo, serviços públicos, infraestrutura e outras áreas.
A África do Sul, descontente com a intervenção militar da Otan na Líbia, não participará da conferência de Paris, conforme anunciou o presidente Jacob Zuma. ''Estamos descontentes com a forma como a resolução 1973 da ONU (Organização das Nações Unidas) foi interpretada para executar bombardeios aéreos na Líbia'', disse.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, afirmou que os países membros e a Otan, aliança militar do Ocidente, estudam fórmulas para colaborar com a melhora da segurança na Líbia.
O ditador líbio, Muamar Kadafi, divulgou ontem uma nova mensagem de áudio e voltou a pedir a seus partidários que continuem resistindo ao avanço dos rebeldes oposicionistas, que já controlam a maior parte da Líbia. Kadafi, que está foragido, disse que existem divergências entre os rebeldes e a Otan. ''Mesmo que não ouçam minha voz, continuem com a resistência'', declarou Kadafi.

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