Onu propõe ação para países pobres
France Presse
De Nova York
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, apresentou ontem um ambicioso plano de ação para os bilhões de habitantes dos países pobres a fim de que não sejam deixados à margem do processo de globalização.
Este plano pede aos Estados se comprometerem a reduzir a pobreza, as desigualdades, melhorar a educação, fortalecer a segurança, lutar contra a Aids e proteger o meio ambiente.
Estas recomendações serão estudadas pelos chefes de estado e de governo dos 188 Estados membros da Cúpula do Milênio, que se realizará em Nova York de 6 a 8 de setembro.
As propostas de Annan figuram em um relatório de 63 páginas intitulado Nós os povos: o papel das Nações Unidas no Século XXI.
Trata-se da avaliação mais completa feita por um secretário-geral dos desafios que enfrenta a humanidade e do papel que as Nações Unidas pode desempenhar para resolvê-los, afirmou um alto dirigente da ONU.
Enquanto uma minoria aproveita totalmente os efeitos da globalização, a principal preocupação do secretário-geral é que não se deixem à margem mais da metade dos 6 bilhões de habitantes do planeta que dispõem de menos de dois dólares por dia.
Mais de 1,2 milhão de seres humanos vivem na pobreza total (menos de um dólar por dia), principalmente no sul da Ásia e na África, um continente destroçado pelas guerras e pela Aids, enfermidade que deixará 40 milhões de órfãos em 2010.
Em vez de deixar bilhões de vítimas, a globalização tem que se converter numa força positiva para todos os povos dos mundo: este é nosso desafio maior, afirma Annan.
Entre as propostas do secretário-geral figuram reduzir até 2015 pela metade a quantidade de gente bem pobre, dar uma educação primária a todas as crianças e fazer recuar de 25% em cinco anos os casos de Aids entre os jovens de 15 a 24 anos.
Annan pede também aos países desenvolvidos abrirem seus mercados às exportações dos países pobres com a supressão dos direitos de alfândega e das cotas e cancelarem todas as dívidas públicas dos países muito endividados se estes tomarem medidas para lutar contra a pobreza.





