Um enviado especial da ONU chegou hoje a Cabul para convencer os líderes da Aliança do Norte da urgência de realizar uma conferência interafegã em terreno neutro, com a finalidade de estabelecer um governo provisório no país.
Francesc Vendrell, assessor do representante especial da ONU no Afeganistão, Lajdar Brahimi, chegou ontem ao aeroporto de Bagram, no Norte do país. Sua presença no Afeganistão mostra que as relações entre a oposição aos talebans e a comunidade internacional são cada vez mais complicadas e que a ONU está ficando impaciente ante a aparente indiferença da Aliança do Norte em relação à idéia de criar uma nova administração em que estejam representadas todas as etnias do país.
Brahimi assegurou sexta-feira que deseja que esta conferência, que deve agrupar todas as facções presentes no Afeganistão, se realize na próxima semana.
''Quanto mais tempo perdermos, mais problemas teremos de enfrentar e mais difícil será conseguir progressos'', assegurou.
Os dirigentes da Aliança do Norte concordam com a realização desta conferência, mas querem que a sede do encontro seja Cabul, enquanto as Nações Unidas insistem na necessidade de escolher um terreno neutro.
Esta conferência seria o primeiro dos cinco passos do plano que a ONU traçou para dotar o Afeganistão de um governo de transição que conduza a uma nova Constituição nacional.
Bin LadenMilhares de militantes fundamentalistas entre eles, possivelmente, Osama bin Laden estão cercados em Kunduz, a última fortaleza taleban no norte do Afeganistão, segundo a Aliança do Norte.
Tropas da Aliança estreitaram, pouco a pouco, o cerco aos fundamentalistas foragidos de outras cidades durante o ataque relâmpago da última semana.
Um membro da direção política do governo afegão, ainda exilado, disse que alguns seguranças ligados a Bin Laden foram vistos ''na entrada de Kunduz''.
A cidade, cujo campo de refugiados foi desocupado à medida que os civis voltavam às suas aldeias, esteve fechada. Ela foi palco de duros combates e difíceis negociações para evitar uma matança, o que afetaria 35.000 civis.
O prefeito da cidade pediu ao comandante militar da Aliança uma trégua para tentar a rendição ou pelo menos a saída de civis. ''Não haverá negociações, não conversaremos com eles, são assassinos'', disse o general Mohamed Daud Jan, em Talokan. Outro chefe militar da Aliança disse que o plano era ''fechar lentamente o cerco'' sobre Kunduz.
Fontes militares disseram ainda que entre os entrincheirados em Kunduz estava ''a maioria'' dos árabes membros da Brigada 55 de Bin Laden e muitos militantes do Movimento Islâmico do Uzbequistão (MIU), comandado por Yumá Namangani.

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