ONU prepara batalha em Serra Leoa
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quarta-feira, 10 de maio de 2000
Associated Press De Nova York 
Os soldados da força de paz das Nações Unidas em Freetown, capital de Serra Leoa, estão se preparando para uma batalha, declarou ontem o porta-voz da organização, Fred Eckhard.
Segundo ele, haviam sido detectados movimentos de tropas da rebelde Frente Revolucionária Unida (FRU) e do governo de Serra Leoa, assim como combates, o que leva a crer numa piora da situação.
Os capacetes azuis, como são chamados os soldados da ONU, consolidaram suas posições, particularmente nos pontos de entrada de Freetown, disse o porta-voz, manifestando a esperança de que não se chegue ao extremo de uma batalha.
Ele também esclareceu que os preparativos têm um caráter defensivo. Os capacetes azuis não são uma força de combate, não estão preparados para lutar, basicamente se estão posicionando de modo defensivo, antecipando o pior, que seria uma batalha em Freetown.
Eckhard declarou que o número de capacetes azuis em Serra Leoa é de 8.936, mas pode aumentar, pois a ONU manteve uma reunião com vários países na qual estudou-se o envio de mais tropas até completar a capacidade da Missão das Nações Unidas em Serra Leoa (Unamsil) de 11 mil homens.
Ele também afirmou que a ONU não sabe ainda do paradeiro dos cerca de 500 capacetes azuis supostamente sequestrados pela FRU e do líder rebelde Foday Sankoh, desaparecido desde segunda-feira.
Vários países, entre eles os Estados Unidos e Canadá, ofereceram seu apoio logístico, em especial para o transporte de soldados da Índia, Bangladesh e Jordânia. Contudo, muitos países, principalmente ocidentais, estão relutantes em enviar suas forças terrestres. O secretário-geral da ONU exortou ontem as potênciais militares mundiais a assumir suas responsabilidades em Serra Leoa.
Apenas a Rússia atendeu ao pedido e anunciou que enviará quatro helicópteros e 106 soldados. A Grã-Bretanha rejeitou novamente ontem o envio de suas tropas, alegando que não tem recursos para intervir em todas as crises internacionais. Londres enviou soldados a Serra Leoa somente para ajudar na retirada de cidadãos britânicos e de outros países europeus.
O Exército de Serra Leoa retomou a cidade de Masiaka (65 quilômetros a leste de Freetown), numa ofensiva que deixou pelo menos 20 mortos entre os guerrilheiros acusados de desrespeitar o acordo de paz assinado em Lomé em julho , anunciou o tenente Johnny Paul Koroma, ex-chefe da junta que governou o país de maio de 1997 a fevereiro de 1998 e atual aliado do presidente Ahmad Tejan Kabbah.


