A ONU se comprometeu ontem em reforçar sua ação em Serra Leoa, aumentando a quantidade de capacetes azuis no país do oeste africano para enfrentar os rebeldes da Frente Unida Revolucionária.
O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, recomendou ao Conselho de Segurança o aumento de 13 mil para 16 mil e 500, do contingente de capacetes azuis na Missão das Nações Unidas em Serra Leoa (MINUSIL).
‘‘As Nações Unidas não abandonaram nem abandonarão Serra Leoa’’, disse Annan num informe que elimina toda dúvida sobre o reforço da ONU.
‘‘Seria imperdoável ignorar as esperanças da população tendo em conta os sofrimentos do país na última década’’, acrescentou.
Annan frisou a necessidade das tropas suplementares para estabilizar a situação na ex-colônia inglesa, onde os rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) mantêm sequestrados 270 capacetes azuis.
O informe do secretário-geral será discutido amanhã pelo Conselho de Segurança.
Atualmente, esta força da ONU é sem dúvida a mais importante missão de manutenção de paz mobilizada, superando a do Timor Leste que conta com dez mil e 800 soldados e policiais.
A MINUSIL substitui uma força do oeste africano dirigida pela Nigéria para ajudar na aplicação dos acordos de paz de Lomé, assinados em julho de 99. Eles supunham o fim desta brutal guerra civil de oito anos.
Os acordos foram violados pelos rebeldes, mas Annan afirma que ‘‘há provas de ele (o líder da RUF, Foday Sankoh) pode ter incentivado, até planejado’’ os ataques contra a ONU.
A sorte do chefe da RUF, atualmente em mãos do governo de Serra Leoa, se mantém em suspenso, mas Kofi Annan repete que ‘‘a comunidade internacional deve responsabilizar Sankoh pelas ações dele e da RUF’’.
As atrocidades cometidas pela RUF estão anistiadas pelos acordos de Lomé, mas estes tratados não cobrem as crueldades perpetradas posteriormente pelos rebeldes.
O aumento do contingente incluiria 15 batalhões de infantaria, que seriam ‘‘inicialmente mobilizados’’ pelo leste de Freetown, capital de Serra Leoa, até Darú, perto da fronteira com a Libéria.
A prioridade das forças da ONU é consolidar suas posições no aeroporto de Lungi, na região de Freetown, e nas principais entradas da capital.
‘‘O objetivo é garantir a proteção dos civis em Freetown e das instituições governamentais’’, disse Annan.
Annan frisou que o Conselho ‘‘pode estudar a possibilidade de reforçar o regime de sanções’’ em particular para impedir a RUF de tirar vantagem da exploração de diamantes no leste do país.

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