ONU pede que Sri Lanka suspenda artilharia pesada
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quarta-feira, 13 de maio de 2009
Folhapress 
São Paulo - O Conselho de Segurança da ONU exortou o governo do Sri Lanka a suspender a artilharia pesada e cobrou a rendição dos rebeldes dos Tigres Tâmeis, em sua primeira menção oficial ao acirramento da guerra civil e aos recentes bombardeios, descritos pelo chefe de direitos humanos da ONU, John Holmes, como banho de sangue.
A declaração não gera obrigação legal, mas marca a guinada da visão internacional sobre o conflito. A oposição da Rússia e da China vetaria qualquer texto mais duro, antecipou um diplomata ouvido pela reportagem. A própria inclusão do tema na pauta, inicialmente alvo de objeções russas, é sinal de mudanças.
O presidente dos EUA, Barack Obama, exortou ontem os Tigres Tâmeis, classificados como grupo terrorista, e o governo a resguardar os civis.A crise humanitária cingalesa pode virar uma catástrofe se não houver ação imediata, disse.
A catástrofe já começou, segundo Anna Neistat, especialista da Human Rights Watch (HRW) em crise. Há três meses os civis estão sendo massacrados, retidos em campos, disse em entrevista à reportagem.
O único hospital remanescente no território rebelde foi bombardeado hoje pelo segundo dia consecutivo. Pelo menos 50 pessoas morreram, segundo a principal autoridade médica na zona de guerra.
O conflito entre cingaleses e tâmeis se arrasta desde 1983 e deixou até 100 mil mortos. O governo lançou em janeiro uma ofensiva final.
A guerrilha mantinha um governo rebelde no norte da ilha, com auxílio de doações dos tâmeis residentes no exterior, dificultadas pelas restrições a transações bancárias internacionais após o 11 de Setembro.
Acossados pela ofensiva, os Tigres Tâmeis impedem que civis deixem a área conflagrada, segundo relatos da ONU, da HRW e do Internacional Crisis Group (ICG). Quando conseguem escapar, são retidos em campos de triagem.


