Quito - Fortes tremores de terra sacudiram o Equador na sexta-feira, enquanto o país luta para se recuperar do devastador terremoto do último dia 16, que deixou cerca de 600 mortos e mais de 12 mil feridos. A tragédia levou a ONU a lançar um pedido de ajuda a países doadores, enquanto o Banco Mundial oficializou um empréstimo.

Tremores de entre 4.0 e 5.2 graus de magnitude foram registrados na manhã na sexta-feira pelo Instituto Geofísico do Equador (IG), horas depois de outros abalos secundários, de 6.0 e 6.1 graus, terem sido sentidos na noite da quinta-feira nas províncias de Manabí, Esmeraldas e Los Ríos (Oeste), assim como nas cidades de Santo Domingo, Guayquil e Quito.

O potente tremor de 7.8 graus que atingiu o país no sábado passado é considerado o pior desde 1979. Na região afetada, que abrange seis províncias costeiras nas quais foi declarado um alerta vermelho, não houve de imediato mais danos nem vítimas, reportaram enviados da AFP. O sismo já deixou 602 mortos, 130 desaparecidos, 12.492 feridos, 26.091 desabrigados e quase 10 mil edifícios destruídos ou afetados, indicou o último balanço oficial.

As Nações Unidas fizeram um chamado aos países doadores para arrecadar US$ 72,7 milhões para assistir a 350 mil pessoas no Equador nos próximos três meses, das 720 mil que se estima que precisarão de ajuda. Além disso, o Banco Mundial (BM) oficializou o empréstimo anunciado de US$ 150 milhões para ajudar na reconstrução das zonas afetadas.

As entidades humanitárias alertam que o país enfrenta grandes riscos humanitários ante as milhares de pessoas que ficaram sem teto, sem dispor de água potável e que estão expostas a inúmeras doenças.

O terremoto, com epicentro no balneário Pedernales, na província de Manabí, cerca de 180 km ao norte do porto de Manta, deixou zonas turísticas reduzidas a escombros, e é um duro golpe para este país dolarizado e petroleiro, já severamente atingido pela valorização da moeda americana e pela queda dos preços do petróleo.

O presidente Rafael Correa, que avaliou os danos em US$ 3 bilhões - "três pontos do PIB" - anunciou na quarta-feira drásticas medidas econômicas para financiar uma reconstrução que, advertiu, será longa e custosa. Com um aumento de dois pontos do IVA (de 12% a 14%) durante um ano e aportes salariais obrigatórios, entre outras contribuições, o governo prevê arrecadar um US$ 1 bilhão para enfrentar a crise.

De Manta a Pedernales, muitos estabelecimentos comerciais da região fecharam por medo de saques, o que faz com que seja mais difícil encontrar alimentos e elementos de primeira necessidade. Nos centros de abastecimento, os afetados pela tragédia fazem fila para receber água, comida e artigos de higiene. Mas muitos continuam pedindo ajuda nas estradas com cartazes improvisados. "Não está chegando muita coisa", comenta Carmen Correa.

Na arrasada localidade de Pedernales, onde choveu nesta madrugada pela primeira vez desde a catástrofe, grandes poças de água se formavam por causa dos bueiros entupidos com escombros. O serviço de eletricidade voltava aos poucos na região, e a distribuição de água também melhorava, e com a retirada dos escombros cada vez apareciam mais terrenos vazios onde antes haviam casas e edifícios.

Muitos recolhiam o pouco que podiam recuperar das suas casas semidestruídas, decididos a abandonar o lugar, ainda que os buracos nas estradas, cada vez mais profundos, dificultassem a circulação. "Para que vou ficar, se minha mulher morreu e eu já não tenho nada que fazer aqui", disse à AFP com lágrimas nos olhos um pedreiro, desolado ao lado das casas destruídas.

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