ONU ouve hoje relatório das inspeções
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2003
Robert Holloway<br>France Presse 
Nova York O relatório que os chefes dos inspetores em desarmamento da ONU apresentarão, hoje, ao Conselho de Segurança, pode dar início, segundo muitos diplomatas, a uma contagem regressiva para a guerra.
O governo de George W. Bush afirma que a apresentação do relatório não significa um prazo, mas ''a abertura de um processo'', segundo palavras do secretário de Estado, Colin Powell. ''Escutaremos cuidadosamente os inspetores, consultaremos nossos amigos e aliados e participaremos nas discussões do Conselho de Segurança'', disse.
O Conselho de Segurança pediu, em novembro, ao inspetor chefe de armas químicas e biológicas, Hans Blix, e ao titular da Agência Internacional de Energia Nuclear (Aiea), Mohammed El Baradei, um relatório 60 dias depois do início das inspeções no Iraque.
O documento será lido na véspera da mensagem do presidente norte-americano George W. Bush ao Congresso sobre o estado da União, no qual se espera que reitere que sua paciência com o presidente iraquiano Saddam Hussein se esgotou.
Bush advertiu várias vezes que ''o tempo está se esgotando'' para que o Iraque cumpra as exigências da ONU e se desfaça das armas de destruição em massa que supostamente possui. El Baradei, por outro lado, disse que os inspetores precisam de ''alguns meses a mais'' para completar a tarefa.
O núcleo das divergências entre os Estados Unidos e os outros membros-chave do Conselho de Segurança, incluindo a França e a Rússia, é a obrigação moral da tarefa dos inspetores.
O presidente do Conselho de Segurança, o embaixador francês na ONU, Jean-Marc de La Sabliere, disse na véspera que a resolução 1.441, aprovada por unanimidade no dia 8 de novembro passado para dar uma última chance a Saddam Hussein de aceitar as inspeções, ofereceu ''uma oportunidade real para o desarmamento do Iraque por meios pacíficos''.
Enquanto as inspeções avançarem para ''o objetivo de um desarmamento pacífico do Iraque, não vemos necessidade de impôr um prazo'', disse De La Sabliere à imprensa.
Mas Powell declarou que a questão não é quanto tempo os inspetores precisam, ''mas quanto tempo devemos dar ao Iraque, quando o país não aproveitou o tempo que já lhe foi dado para se desarmar''.
Alguns diplomatas que pediram para não ser identificados afirmaram temer que os Estados Unidos tentem usar os relatórios de Blix e El Baradei para provar que o Iraque não cooperou.
A falta de cooperação, junto com mentiras e omissões na declaração que o Iraque fez sobre os armamentos que possui perante o Conselho de Segurança no dia 8 de dezembro, seria suficiente para permitir uma ação militar sob a resolução 1.441.
Bush já acusou o Iraque de fazer uma declaração incompleta. A assessora de segurança nacional de Bush, Condoleezza Rice, disse no último domingo à NBC que o dia 27 de janeiro ''marcará o início da última fase''.


