ONU media crise no Oriente Médio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 10 de outubro de 2000
France Presse De Jerusalém 
A violência prosseguiu ontem nos territórios palestinos, onde um menino de 12 anos morreu de um tiro na cabeça, disparado pelo exército israelense, mas pela primeira vez desde o começo da crise a diplomacia tratava de retormar a inicitiva.
A decisão do primeiro-ministro israelense Ehud Barak de adiar por quatro dias o ultimato que lançou na noite de sábado ao presidente da autoridade palestina, Yasser Arafat, para que ponha fim aos ataques contra soldados israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, dá a diplomacia o tempo que necessita para reduzir a tensão.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, depois de uma reunião de uma hora com Barak celebrou a decisão de Israel de adiar vários dias o prazo dado aos palestinos para que ponham fim às violências nos territórios.
Barak advertiu na frente de Annan que Israel se reserva o direito de responder no momento, no lugar e da forma apropriada à captura de três de seus soldados pelo movimento xiíta libanês Hezbolá.
Esperamos sua imediata libertação, na medida em que este sequestro é uma violação flagrante do direito internacional, declarou Barak, enquanto Annan classificava o fato de uma violação clara da resolução 425 do Conselho de Segurança.
Um alto responsável palestino denunciou que a ameaça de Ehud Barak de frear pela força a rebelião nos territórios palestinos é uma declaração de guerra.
A política de advertências, de ameaças e de imposições não serve ao processo de paz. Dissemos o mesmo em relação ao primeiro ultimato de Barak e reiteramos agora, declarou o ministro de Cooperação Internacional, Nabil Chaath.
Arafat reagiu ironicamente. Outra advertência, depois de outra advertência, depois de outra advertência, respondeu sorrindo a um jornalista que lhe perguntou a respeito.
Mas Annan mostrou-se otimista com seus encontros com Arafat pela manhã em Gaza, e com Barak a tarde em Jerusalém. Temos que tomar medidas para por fim a violência, disse Annan durante sua coletiva à imprensa com Barak. Estou certo que num futuro não muito longínquo isso poderá sere realizado, prosseguiu.
Também participam das negociações o chanceler russo, Igor Ivanov, Javier Solana da União Européia, e a Grã-Bretanha, cujo secretário do Foreign Office, Robin Cook, secretário do Foreign Office da Grã-Bretanha, que é esperado hoje na região.
Uma cúpula palestina-israelense com participação do presidente americano Bill Clinton também é uma possibilidade. A Casa Branca informou que Clinton falaria novamente ontem por telefone com Arafat e Barak. Barak disse numa reunião de gabinete que não excluía a possibilidade de se encontrar com Arafat.
Mas nos territórios palestinos o sangue continuou a ser derramado. O incidente mais grave aconteceu em Rafah, no sul da Faixa de Gaza, onde um menino de 12 anos, Sami Abu Jazar, recebeu um tiro na cabeça, disparado pelo exército israelense e foi declarado clinicamente morto num hospital.
Segundo um fotógrafo da AFP, testemunha da cena, o menino, vestido com uniforme escolar, estava relativamente afastado dos manifestantes, que atiravam pedras contra os soldados.
Esta morte eleva a 99 (82 palestinos, 12 árabes-israelenses, quatro judeus israelenses e um druso israelense) o número de vítimas dos distúrbios antiisraelenses que explodiram no dia 28 de setembro passadao em Jerusalém Oriental, se estendendo depois a Cisjordânia e à Faixa de Gaza.
Em Ramallah (Cisjordânia), 39 palestinos ficaram feridos nos enfrentamentos com o exército israelense, que era atacado com pedras, coquetéis molotov e garrafas.
Um ferido, que recebeu um tiro com bala real, estava em estado crítico, e outros dois, que também foram baleados, estavam em estado grve. Outros receberam tiro de balas de borracha.
Em Belém, sul de Jerusalém, sete manifestantes foram feridos depois de uma manifestação de 500 pessoas, e em Hebrón, sul da Cisjordânia, um palestino levou um tiro no peito, disparado por militres.
As incursões dos colonos judeus, um fenômeno que apareceu há alguns dias, prosseguiram ontem, e atacaram o povoado palestino de Yatma, perto de Nablus, deixando dois feridos.


