ONU lembra atentado em Bagdá
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quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Das agências 
Genebra O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou ontem que as Nações Unidas podem ter se tornado o principal alvo de violência política. A declaração foi feita durante a cerimônia que marcou o primeiro aniversário do atentado que destruiu a sede da organização em Bagdá e matou o diplomata brasileiro Sergio Vieira de Mello.
Numa cerimônia realizada na sede da ONU em Genebra, Kofi Annan pediu que seja feito todo o possível para que uma tragédia desta magnitude não volte a se repetir. Eventos paralelos também aconteceram em Nova York e Amã. O atentado mostrou que ''a organização pode ter se tornado um dos principais alvos de violência política'', afirmou Annan. Depois do ataque em Bagdá, um dos piores da história da ONU, a organização diminuiu drasticamente suas operações no Iraque por razões de segurança.
Segundo Annan, a ONU discute agora, uma forma de reforçar a segurança de seu pessoal sem deixar de exercer as atividades. ''Nosso trabalho é com as pessoas. Temos de ser capazes de chegar até elas e vice-versa'', disse o secretário-geral.
''Como vamos operar em locais como Iraque e algumas partes do Afeganistão, onde as pessoas querem e esperam nossa ajuda, mas outros estão determinados a bloquear nosso serviço a qualquer preço?'', perguntou Annan.
À época da explosão, a ONU contava com 600 pessoas trabalhando em projetos de ajuda e reconstrução pelo Iraque. Depois do ataque, a organização manteve pessoal apenas para colaborar com medidas extremamente necessárias, como preparar a eleição nacional de janeiro de 2005.
O novo enviado da ONU no Iraque, o paquistanês Ashraf Jehangir Qazi, chegou à Bagdá no dia 13 acompanhado de uma pequena equipe. A ONU reluta em revelar o número exato de funcionários no Iraque por razões de segurança.
''Todos na ONU acham que qualquer um poderia estar em Bagdá naquele momento. Era mais uma missão. Nós sempre estamos em alguma missão'', disse Elizabeth Byrs, porta-voz do escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, em inglês).
''Pessoas na OCHA vão sempre a missões em lugares muito perigosos. Creio que esta explosão faz a gente lembrar que qualquer lugar pode ser perigoso'', disse ela à AFP.
No fim da cerimônia, Annan inaugurou uma placa com os dizeres: ''Em memória aos mortos no atentado à sede das Nações Unidas em Bagdá no dia 19 de agosto de 2003''. A placa contém os nomes das vítimas. Paralelamente ao gesto de Annan, placas idênticas foram inauguradas nas sedes da ONU em Nova York e Amã.
A mãe do diplomata Sergio Vieira de Mello, Gilda, a francesa Annie (viúva) e Adrien e Laurent (filhos) participaram da cerimônia em Genebra. ''Quero saber da ONU como essa tragédia pôde acontecer, por que não havia mais segurança. Desejo a verdade e a justiça para meu filho. Ele sacrificou sua vida'', afirmou a mãe do brasileiro. Além dos 22 mortos, 150 pessoas ficaram feridas no atentado.


