ONU lança campanha para erradicar apátridas
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quarta-feira, 05 de novembro de 2014
Agência Brasil 
Genebra - Dez milhões de pessoas em todo o mundo não têm nacionalidade, vivendo em um devastador limbo jurídico, advertiu ontem o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), lançando uma campanha para erradicar o flagelo dentro de uma década. "A cada dez minutos nasce um novo apátrida", disse o alto comissário da Acnur, António Guterres, em Genebra, descrevendo a situação como "totalmente inaceitável" e "uma anomalia no século 21".
O Acnur pretende, por meio da campanha, colocar em evidência "as consequências devastadoras para toda a vida da condição de apátrida" e pressionar os países a retificarem as suas leis a fim de garantir que não seja negada nacionalidade a ninguém.
"Muitas vezes são excluídos desde o berço até ao túmulo, sendo-lhes negada uma identidade legal quando nascem, acesso à educação, cuidados de saúde e oportunidades de trabalho durante toda a vida e mesmo a dignidade de um funeral oficial e de um certificado de óbito quando morrem", destacou Guterres, em seu relatório, à agência da ONU. A condição de apátrida "faz com que as pessoas sintam que a sua própria existência é um crime", disse o alto comissário.
As pessoas podem tornar-se apátridas por uma série de razões, como a discriminação com base na etnia, religião ou gênero, ou quando um Estado se desmorona. A guerra e o conflito também dificultam, muitas vezes, o registo dos nascimentos. O relatório não contabiliza o caso dos palestinos, uma vez que a Assembleia Geral da ONU reconheceu o Estado da Palestina, disse Guterres.
O problema de muitos dos 4,5 milhões de palestinos na Faixa de Gaza e dos milhões que vivem como refugiados em todo o mundo é que o Estado da Palestina tem ainda de aprovar as suas leis de nacionalidade, ressaltou Guterres.
O maior número de apátridas encontra-se na Birmânia, país que nega cidadania a cerca de 1 milhão de muçulmanos de etnia Rohingya.


