São Paulo - A presidente do Conselho de Direitos Humanos (CDH) das Organização das Nações Unidas (ONU), Laura Dupuy, condenou ontem o fim das colaborações com o órgão por ter sido aberta uma investigação sobre o impacto dos assentamentos judeus sobre a população palestina.
Dupuy afirmou que a resolução sobre as colônias judaicas na Cisjordânia foi uma das 40 aprovadas pelo conselho na última quinta. A presidente ainda ressaltou que a medida foi aprovada por todos os 47 países do grupo, menos os Estados Unidos.
''Não tenho dúvidas que é do interesse de Israel cooperar com a comissão investigadora do Conselho de Direitos Humanos. Deste modo, poderia explicar suas políticas e ações na região'', declarou.
Apesar do anúncio da saída, a diplomata elogiou a participação israelense no conselho, assim como a contribuição nos debates sobre a situação de direitos humanos em países como Líbia e Síria.
Israel anunciou ontem o rompimento dos seus contatos com o CDH da ONU, que na semana passada decidiu investigar os assentamentos judaicos da Cisjordânia. O rompimento, anunciado pela chancelaria de Israel, implica que os investigadores da ONU não poderão realizar seu trabalho pessoalmente no território israelense ou na Cisjordânia, que é um território palestino ocupado por Israel.
''Não estamos mais trabalhando com eles'', disse o porta-voz Yigal Palmor. ''Estávamos participando de reuniões, discussões, arranjando visitas a Israel. Tudo isso acabou.''
A investigação internacional, solicitada pela Autoridade Palestina, foi aprovada na quinta. Líderes israelenses disseram que o conselho age de forma hipócrita e tendenciosa contra Israel. ''Eles sistemática e serialmente tomam todo tipo de decisão e condenação contra Israel sem nem simbolicamente considerarem as nossas posições'', queixou-se Palmor. Segundo ele, Israel vai continuar cooperando com outros órgãos da ONU.

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